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quinta-feira, 4 de abril de 2019

As emoções da remoção (parte IV)

Mais um capítulo da novela da remoção: esta semana recebi minha lista de oferta de postos. Todos D, claro.

Vieram dois da Ásia, um da África e um do Oriente Médio. Conforme as regras do plano, acrescentei mais duas opções (também D), coloquei em ordem de preferência e devolvi.

Tem toda aquela emoção envolvida: a ansiedade no dia de receber a lista (será que vai chegar só no fim da tarde?). Os colegas perguntando se já chegou, se veio boa, se estou animada.

Para nossa grande alegria, o e-mail veio às 11 e meia da manhã (não foi necessário torcer as mãos até o término do expediente). O grupo de Whatsapp de amigos que também entraram na remoção ficou em polvorosa. Para alguns a oferta foi melhorzinha, para outros, nem tanto, mas como podemos colocar mais dois postos de nossa escolha,  o choro e o ranger de dentes ficaram sob controle.

Ontem mesmo respondi, colocando as opções em ordem com muita atenção (sim, já aconteceu de a pessoa distrair e mandar a lista o posto mais querido em segundo lugar).

Estou muito feliz porque as coisas estão caminhando, mas a ficha ainda não caiu de verdade. Talvez só caia quando eu estiver me despedindo das pessoas, ou na hora de embarcar. Isso não nos impede, claro, de ir tomando um monte de providências. Estamos indo a médicos, pesquisando vacinas, organizando a casa, escaneando documentos para nos livrarmos de papéis.

O resultado do plano de remoção sai no finzinho do mês. A sorte é que vamos sair de férias por duas semanas, então vamos nos divertir e nos distrair e tentar não pensar nisso.

Estou contando que umas  taças de vinho vão ajudar.

Destinos com vagas disponíveis. Para onde será que iremos?

sexta-feira, 15 de março de 2019

A próxima viagem (aqui por perto)

Confessamos: conhecemos pouquíssimo a América do Sul. Fomos a Buenos Aires e a Bariloche em nossa lua-de-mel, há 15 anos, e só. Como a perspectiva atual é de irmos para longe no segundo semestre (e ficarmos por lá por um bom tempo), decidimos que era hora de viajar aqui por perto do Brasil.

Vamos começar com duas semanas na Argentina e no Uruguai. Repetiremos Buenos Aires, mas achamos que vai ser bacana. Primeiro porque lá estivemos há muito tempo. Segundo porque vamos aproveitar muito mais: na época da primeira visita, éramos viajantes novatos - e meio bobos.

Hoje ficamos recordando nossa ida à capital portenha e concluímos que só conhecemos o básico da cidade: El Caminito, Teatro Colón, 9 de Julio, a fachada da Casa Rosada, um pouco da Recoleta. Fomos a um show de tango e almoçamos no Puerto Madero. E só. Tudo de táxi ou transfer, claro. Naqueles tempos, a gente não tinha o hábito de passear a pé pelas ruas, frequentar parques, pegar transporte público e, o mais chocante, nem de visitar supermercados. Não nos lembramos de ter entrado em nenhum. Imaginem o tanto de doce de leite, alfajores, vinhos e queijos que deixamos de consumir!

Naquela época, nem beber a gente bebia (nossas fotos em restaurantes mostram garrafinhas de água mineral em cima da mesa). Hoje em dia a gente bebe e quase não vai a restaurantes - depois que descobrimos o aluguel de apartamentos, gostamos de explorar supermercados e preparar nossas próprias refeições. Produtos novos são parte da aventura!

A impressão que temos é que hoje curtimos mais os destinos. Pesquisamos mais, nos interessamos mais, aproveitamos mais os espaços públicos. Ficamos o dia todo na rua, em vez de correr de volta para o hotel. Antes, a gente só enxergava os pontos turísticos principais; hoje, conseguimos usufruir da cidade.

É muito mais legal.

Direto do túnel do tempo: Bariloche, junho de 2004

segunda-feira, 11 de março de 2019

Agora é pra valer

Começou hoje o período para inscrição no plano de remoção. Depois de alguma emoção (tinha de ter! Dificuldades de acesso), consegui me inscrever, às 10 da manhã. Ou seja, agora é pra valer!

O passo seguinte é a lista de inscritos, que vai ser divulgada no fim de março. Quando ela sai é que realmente ficamos sabendo quais são as vagas disponíveis. Quer dizer, todo mundo já desconfiava que Joãozinho ia voltar para o Brasil e que Mariazinha ia mudar de posto, porque os prazos de permanência iam se esgotar, mas oficial de verdade é quando aparece na lista.

Nossos coraçõezinhos estão batendo forte porque, afinal de contas, é nosso primeiro plano de remoção. Finalmente ele está se tornando realidade! Agora é torcer para aparecerem umas vagas bem bonitas (e uma em especial).

Aí está tudo resolvido? Na-na-ni-na-não! Aparecendo a vaga bem bonita na lista, ficamos mais sossegados, mas ainda tem muita água pra rolar debaixo do posto, isto é, da ponte. Uma semana depois chega um e-mail com algumas ofertas de postos. Vamos colocar esses em ordem de preferência e acrescentar mais dois. Mandamos tudo de volta e o Chapéu Seletor, digo, a Comissão de Remoção, levando em conta o interesse da administração, as solicitações dos chefes de posto e a vontade do servidor, decide quem vai para qual lugar. O resultado sai no fim de abril.

E se o choro, ranger de dentes e velas acesas não adiantarem de nada e vier um posto que a gente não encara de jeito nenhum? Podemos entrar na repescagem. E se ainda assim não rolar? Bem, ninguém é obrigado a ir para um posto que não quer. Podemos desistir da inscrição e ficar em Brasília, esperando o plano de remoção do segundo semestre.

Mas preferimos sair de uma vez, né? Cruzando os dedinhos para tudo dar certo!

sexta-feira, 8 de março de 2019

As emoções da remoção (parte III)

Agora que saiu o plano de remoção e a Lud oficialmente poderá sair para seu primeiro posto no exterior, aceleramos as pesquisas sobre os potenciais destinos.

São 65 cidades em 57 países diferentes. Pelo mapa abaixo dar para ter uma ideia de onde são os lugares: a maior parte na África, uns gatos pingados na América Central e Caribe (Honduras, Guatemala, Belize e Haiti), uns outros poucos na Ásia (entre eles Bangladesh, Coreia do Norte e Timor-Leste) e os países com os quais o Brasil faz fronteira, com exceção de Uruguai e Argentina. Detalhe, com os países que temos fronteira, nada de belas capitais. São postos de fronteira como Santa Elena do Uairém, famosa agora devido a crise na Venezuela. 


Não há nenhuma dúvida de que são os postos com menos infraestrutura. E nem vai ter vaga em todos. Namíbia, por exemplo, considerado um dos melhores D, está fora da jogada. Outros a gente não quer mesmo, como as cidades de fronteira. É praticamente Brasil, não tem graça. 

Mas, enquanto as vagas não são publicadas (só depois que as pessoas se inscrevem no plano é que se sabe de verdade onde vai ter lugar), nos divertimos estudando os possíveis destinos. Uma coisa é (quase) certa: com certeza vamos acrescentar em breve um novo país à nossa lista. 

sexta-feira, 1 de março de 2019

As emoções da remoção (parte II)

Hoje saiu a portaria que abre o plano de remoção do primeiro semestre de 2019. Bem no aniversário do fim do sabático! Gostamos. É a primeira remoção de que podemos participar. Mais um passo na direção do objetivo final de morar no exterior!

Para variar, mudança de planos: não vamos poder sair para um posto C, como foi permitido ano passado. A turma nova de oficiais de chancelaria, com dois anos de Brasília, só vai poder tentar um posto D (sim, aqueles que têm menos estrutura e mais dificuldades).

Mas não tem problema! Se antes a gente estava mirando o leste europeu - esportes de inverno! Vodka! Estrogonofe! -, agora estamos mirando África e Ásia - calor tropical! Savanas! Ou praias!

(Não vou dizer que não nos lamentamos um pouco. Mas respiramos fundo, sacudimos a poeira e bola para frente. Mais lugares para explorar!)


Ásia: será que vamos voltar para lá?

Já faz 4 anos!


Essa foto, tirada em Lisboa, com a Basílica da Estrela ao fundo,  foi a última do sabático. No dia seguinte, cedinho, embarcamos para Belo Horizonte. Chegamos ao Brasil no dia 1º de março de 2015. Ou seja, hoje completamos 4 anos do término de um dos melhores períodos de nossas vidas.

Mal podemos esperar pelas próximas aventuras. Se tudo der certo, este ano caímos no mundo de novo. Agora de uma maneira diferente: com trabalho, ficando muitos meses no mesmo lugar, mas passando muito mais do que dois anos fora do país.

Quem sabe hoje, para comemorar esses 4 anos, saem as regras do plano de remoção do trabalho da Lud?

Torcendo!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

As emoções da remoção (parte I)

Grande parte das incertezas e emoções da minha carreira vêm do mecanismo de remoções. É assim: a cada semestre é possível se inscrever para trabalhar no exterior. Depois de um longo processo que se arrasta por mais de dois meses e é movido a choro a ranger de dentes, a pessoa recebe a oferta de um posto. Aí ela aceita - ou não. Ninguém é obrigado a ir se não quiser.

O Brasil tem uma extensa rede diplomática: 227 postos espalhados pelo mundo. A classificação dos  postos vai de A (Nova York-Londres-Paris) a D (Uagadugu-Conacri-Daca). A oferta que cada pessoa recebe depende de quantos anos ela passou no Brasil. Quanto mais tempo, mais letras diferentes (e melhores - embora "melhor" seja um conceito bastante relativo quando estamos falando de lugares para morar. Fico fascinada com o fato de cada colega ter seus favoritos).

Como meu objetivo no Ministério das Relações Exteriores sempre foi morar no exterior, temos esperado ansiosamente completar 2 anos em Brasília para poder participar do mecanismo. Quando o último terminou, no final de 2018, atualizamos nossas planilhas para verificar onde haveria vagas e começamos a sonhar.

(Mas a sonhar com desapego, né, porque sempre nos disseram que, no Itamaraty, tudo muda o tempo todo. Que fazer planejamento a longo prazo é receita para se desapontar.)

Esse aviso, no entanto, não nos impediu de estudar russo, ler livros sobre o leste europeu e ver documentários sobre czares. Pelo menos a gente se diverte.



domingo, 2 de dezembro de 2018

A Passagem Bávara (Bayern Ticket)

Nessa estadia de dois meses em Munique, como eu estava trabalhando, decidimos focar em viagens curtas e rápidas para conhecer bem a região, em vez de passeios corridos para outros países. Uma das razões para essa decisão foi o fato de que a Alemanha é muito bem servida de trens, nosso meio de transporte favorito.

Para nossa grande alegria, descobrimos o Bayern Ticket, ou Passagem Bávara. Ele custa 25 euros para uma pessoa e mais 6 euros para as próximas, até um total de seis pessoas. No nosso caso, pagávamos 31 euros e podíamos pegar quantos trens regionais quiséssemos por um dia inteiro. Além disso, a passagem inclui transporte nas cidades de destino, o que era utilíssimo quando alguma atração que queríamos visitar não ficava no centro.

Dá para comprar na internet com antecedência ou no dia mesmo, na estação de trem, nas máquinas de bilhetes (que têm versão em inglês). Quer saber todas as regras direitinho? Aqui.

Usamos o Bayern Ticket para conhecer Lindau e Augsburg, Regensburg e Passau, Salzburgo, Bamberg. A gente acordava cedinho, enchia as mochilas de petiscos e água e lá se ia, passar o sábado (ou o domingo) em fofíssimas cidades alemãs. Ou austríacas: dá para ir para Salzburgo com esse bilhete, mas ele não vale nos ônibus locais.

Lindau:





Augsburg:









Regensburg: 







Passau:







Salzburg:







Bamberg:









sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Palácio de Liderhof e a abadia de Ettal

Deixamos Neuschwanstein com destino a outro palácio construído pelo Rei Ludwig: Linderhof.

Esse é o menor, mas não o menos charmoso, dos 3 palácios/castelos que o Ludwig mandou construir. E o único que ele chegou a ver pronto. Fica bem perto da cidade de Ettal. Então, nos planos da sexta de feriado incluíam passar pelo menos por mais estes dois antes de terminarmos a viagem em nosso hotel na cidadezinha  de Grainau. 

Com a chuva não dando trégua, foi mais fácil do que pensávamos. Infelizmente tivemos que deixar para trás outras possíveis atrações. A primeira, na Áustria, bem perto da fronteira com a Alemanha, é a maior ponte estilo tibetana do mundo para pedestres, a Highline 179

Quando chegamos lá, a chuva estava bem pesada. Então não deu mesmo para irmos. Uma pena, já que parece que o visual é lindo, mesmo em dias nublados. Fora a experiência que seria cruzar a ponte. Fica para o futuro, na nossa lista de coisas a fazer na Áustria que nunca conseguimos (tipo ir a Hallstatt).

Da ponte não visitada seguimos até o palácio de Linderhof, por uma gostosa estradinha de fronteira entre a Áustria e a Alemanha, a L255/ST2060. A estrada passa ao lado do Am Plansee, um lindo lago. Seria um local maravilhoso para parar e curtir a vista fazendo um piquenique com os víveres que tínhamos no carro. Mas o tempo continuava a atrapalhar. 

Por sorte, quando chegamos no estacionamento do Linderhof a chuva deu um descanso. Até pingava ainda, mas bem pouco - nada que um guarda-chuva não resolvesse. Então deu para curtir o palácio por fora e seus enormes e maravilhosos jardins franceses. E olha, mesmo com o tempo ruim, sendo o Linderhof um destino menos conhecido e com pouca opção de chegada por transporte público o local estava bem cheio. Ficamos imaginando como já deveria estar o Neuschwanstein.

Passeamos só pelos jardins mesmo (e deu para passear de montão). Não sabemos se o interior compensa. O que dá para visitar por dentro sem pagar é o pavilhão mouro, um local de descanso do Ludwig extravagantemente decorado à moda árabe (lembranças da Espanha!). E pena que a gruta (com um lago dentro!) que o Ludwig mandou construir para apresentações musicais estava em obras, que por sinal atrapalharam muitos as fotos do palácio.

De volta à estrada, a poucos quilômetros dali chegamos na minúscula cidade de Ettal. Ali visitamos o monastério de Ettal, bem grande e bonito. E o melhor: lar de monges que até hoje fazem ótimas cervejas. Compramos 3 tipos diferentes para tomar durante nosso final de semana.

Continuamos a viagem até chegar a nosso hotel nos arredores da cidade de Grainau. E que hotelzinho mais fofo! Em um lugar lindo, praticamente aos pés dos Alpes. Quarto grande, cama confortável, bom banheiro com muita água quente, micro-ondas, chaleira elétrica e um armário cheio de pratos, copos e talheres. Deu para fazer uns lanches por ali. E com um supermercado a pouco menos de 1000 metros, fizemos a festa.

As duas cerejas do bolo eram a vista para o Zugspitze, a montanha mais alta da Alemanha e nosso destino principal para os próximos dias (se o tempo deixasse) e a dona, uma alemã cuja família mora na região faz anos e que é casada com... um português! Ou seja, dava para conversar com ela tanto em inglês (ótimo por sinal) quanto em português mesmo. Ela é muito simpática e para lá de prestativa. Recomendamos o local. Além do quarto em que ficamos ela alugar um maior, com sala e cozinha. O único senão do nosso quarto era não ter geladeira. Mas a Katrina guardava o que a gente precisava e até trazia copos apropriados para tomarmos as cervejas que comprávamos.

As aventuras do dia não acabaram por aí. Ainda passamos o final do dia na cidade do lado, Garmisch-Partenkirchen. São duas cidades que cresceram e viraram uma só. A gente ficava imaginando como seria se não tivessem crescido. Porque já achamos pequena e fofa! Na verdade, tudo no sul da Alemanha anda surpreendendo pela beleza e cuidado com os detalhes.

O Linderhof. E seus guindastes :(

O pavilhão mouro
O pavilhão mouro por dentro. Repararam nos pavões?

Para variar comparam com Versailles. Seria o mini-Versailles

Tempo fechado e névoa. Tem seu charme
A minúscula Ettal fica a menos de 15 km dali
O monastério é bem imponente e bonito


Nosso hotel
Com vista para o Zugspitze

Maravilhoso!
Garmisch-Partenkirchen, a maior cidade da região

Já foi sede de olimpíadas de inverno

Tem agradáveis ruas de pedestre


E é cheia das casinhas pintadas