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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Brasília x Lisboa

Antes de mudar para nosso lindo quarto e sala de 24 metros quadrados, moramos por 21 meses em um apartamento de quase 100 metros na Asa Sul em Brasília.

O apartamento era excelente para os padrões daqui. Passou por uma reforma, o que garantia dois banheiros muito arrumados. Bônus: era vazado (tinha janelas em paredes paralelas) e um dos banheiros tinha janela. (Engraçado, antes de vir para Brasília, para mim era a coisa mais normal do mundo apartamento ter janela no banheiro e ser vazado.)

Banheiro reformado
Só o piso que era bem problemático. Como ele é de tacos e Brasília é famosa por sua secura, não tinha sinteco que durasse. Resultado, os tacos soltavam em todos os cantos da casa.

A localização é muito boa. SQS 104. Bem central, bem seguro, final da rua, ou seja, nada de trânsito pesado, só local. Quando saímos dele agora em junho, o custo mesal dele era de R$ 3.422. Neste valor, o custo do aluguel (R$ 2.700), condomínio, seguro contra incêndio e IPTU. Hoje, a proprietária quer alugá-lo por R$ 3.400. E olha que antes ela estava pedindo R$ 3.700,00 - depois de 5 meses sem alugar, ela abaixou um pouco o valor. Ah, e o candidato tem criança ou animal de estimação? Então não pode alugar..

Nosso quarto de casal
O apartamento antigo tem cozinha americana semi-equipada. Falta um forno, microondas e geladeira. Mas vem com cooktop, uma coifa e máquina de lavar roupa. O acabamento do apartamento é muito bom. Mas sinceramente, não vale R$ 3.422,00 por mês. Imagine R$ 4.122,00! Isso se o IPTU e seguro de incêndio não aumentaram. Aproveitando, se algum doido quiser alugar, tá aqui o link para a propaganda. Detalhe, ele só tem 125 metros se você contar o hall de entrada do prédio, que por sinal aparece em uma das fotos do anúncio.

Cozinha com ótimo acabamento



Em Lisboa, o apartamento que vamos alugar custa 1.551 euros por mês. (Obs: vamos ficar só 10 dias. E os próximos apês que alugarmos vão ser bem mais em conta, senão não há dinheiro que chegue!) O que daria em reais, a uma taxa de 1 euro = 2,73, o valor de R$ 4.234,23. Totais muito parecidos se olharmos sem aprofundar os cálculos. Mas veja só: O apartamento de Lisboa tem incluído no preço luz, água, internet, tv a cabo e ainda é totalmente mobiliado (e muito bem, por sinal).
Lisboa: sala mobiliada
Nossos custos de energia, água, internet e tv a cabo davam mais 223 reais por mês, elevando o total de Brasília para R$ 4.345,00.

Lisboa: cozinha toda equipada
Lisboa: banheiro reformado
E tem outra: o apartamento de Lisboa é aluguel para turista. Sem contrato, apenas um mês. Já achamos aqui apartamentos mobiliados em Lisboa por 500 euros por mês. Em outras cidades como Porto, 300 euros. E em Braga ou Guimarães, até mesmo 250 euros por mês. Mobiliado e com condomínio!

Portanto, vamos ao comparativo final:

Apartamento de Brasília (B) fica muito bem localizado, na Asa Sul.  O apartamento de Lisboa (L) fica excelentemente bem localizado, no Chiado, paralelo à Rua Augusta.
B Fica na capital do Brasil. L fica na capital de Portugal.
B tem 100 metros quadrados. L tem 100 metros quadrados
B tem cozinha semi-equipada. L tem cozinha completa.
B não é mobiliado. L é mobiliado (incluindo toalhas, utensílios de cozinha, livros...)
B tinha pacote da Net. L tem pacote da Optimus. Quem tiver curiosidade, clica aqui para ver a diferença de preço, velocidades e canais do pacote deles.
B tinha que tratar com a imobiliária do demônio. L com o ultra simpático João.
B custa R$ 4.345,00 por mês. L custa R$ 4.234,23. 
Salário mínimo no Brasil é de R$ 622,00. Em Portugal de 565,83 euros = R$ 1.544,71.

E aí? Em qual prefere morar? Ainda em dúvida? Então olha só estes dados:

B está a 8.725 km de Paris,  R$ 2.329,00 reais de passagem e 12 horas e meia de voo. (Preço de ida e volta saindo dia 15 de março e voltando 5 de abril pela TAP, com escala em Lisboa). L está a 1.750 km de Paris, R$ 400,00 reais e 2 horas e meia de voo. (Preço de ida e volta voando TAP saindo dia 15 de março e voltando 5 de abril, sem escalas)

Aqui uma comparação entre as duas cidades pelo site Numbeo. Repare que a laranja custa mais caro em Brasília que em Lisboa. E adivinha de onde devem vir as laranjas? E como água pode custar mais caro aqui?

Outro local que dá para fazer uma comparação é aqui. Reparem que, para este site, o custo de vida em Lisboa é menor que Brasília. (Depende da quantidade de informações do banco de dados desses sites.)

Bom, assim como abandonamos o apartamento caríssimo em Brasília para economizarmos, não dá para vivermos nos moldes daquele apartamento equivalente em Lisboa. 

Então vamos a mais uma comparação, perto da realidade:

Kitinete em Brasília, mobiliada, distante 5,6 km da rodoviária do Plano Piloto: R$ 1.527,00. Kitinete em Lisboa, mobiliada, distante 4,9 km da estação Rossio: R$ 1.092,00. 

Acreditamos que o que é caro na Europa é a prestação de serviços. Quer alguém para limpar sua casa? Quer alguém para cozinhar para você (em casa ou na rua)? Quer uma babá? Quer fazer unhas em um salão? Quer ter um carro e estacionamento? Quer encher o tanque dele e fazer revisões periódicas? Vai pagar  caro por isso. No Brasil, por causa da desigualdade social, esses confortos são mais baratos. Então fique por aqui mesmo. 

Quer um bom transporte público? Quer eventos culturais gratuitos? Quer ótimos museus e bibliotecas? Quer bonitos parques e maior segurança pública? Acho que aí a Europa ganha.

Mas isso é achismo e internet. Esperamos ver na prática a realidade. E prometemos contar tudinho por aqui. 

Uma grande aventura

Agora faltam apenas 3 semanas!

Lud, gastando meio segundo para convencer o Leo a embarcar na aventura
E aproveitando a estréia mundial desta semana, me sinto como o Bilbo, convidado pelo Gandalf para embarcar em uma aventura. A única diferença é que não teremos que enfrentar um dragão no final. E minha companhia não é de 13 anões: só uma baixinha que amo muito e possui sozinha as qualidades de todos eles. E ainda é mais sábia que o o grande mago cinzento!

Este post é só para, além de comemorar, mostrar que somos nerds. E que mesmo os nerds podem e devem explorar o mundo.

Tailândia

Phuket fica bem no S de Surat Thani
A Tailândia será nosso primeiro destino asiático com cara de Ásia de verdade. Acreditamos que em Kuala Lumpur e Singapura, apesar de serem cidades asiáticas, não teremos muito estranhamento. Afinal, são cidades bem ocidentalizadas. 

Nosso roteiro tailandês vai começar com alguns dias em Phuket. Voaremos de Singapura para Phuket pela companhia aéra low-cost JetStar. A passagem com direito a uma bagagem despachada custou 60 euros. Sinceramente, gosto do estilo low-cost verdadeiro. Você paga pelo que usa. Quer despachar bagagem? Vai pagar por isso. Quer reservar o seu assento? Paga a mais por isso. Quer lanche? Mais uns trocados. 

Em Phuket ficaremos hospedados na praia de Kammala. Como já dissemos antes, foi a parte mais difícil do roteiro. Não somos mesmo fãs de praia. E para piorar, tinha a questão de estilos de praia. Praia cheia de gente, praia cheia de crianças, praia com areia clara, praia com pedras. Optamos por Kammala por ser em teoria o que menos nos desagrada: não tem muita gente, não tem crianças, não tem muitos vendedores... Melhor, só se não tivesse areia! 

De Phuket voaremos para Chiang Mai, no norte da Tailândia. Aqui iremos de AirAsia. Mesmo esquema:  você paga pelo extras que quiser. No nosso caso, pagamos 90 euros com direito a uma bagagem de até 15 quilos por pessoa. 

De Chiang Mai, iremos para Bangkok de trem noturno. A passagem não chega a 20 euros. 

Pela Tailândia, serão 3 hotéis:

Em Phuket ficaremos no The Club Hotel Phuket. 1800 THB (cerca de 45 euros) por noite com direito a café-da-manhã em quarto standard com ar-condicionado e internet sem fio gratuita. Ou seja, um hotel que pelo menos no papel é o que a gente procura: bom custo-benefício, boa localização, banheiro limpo, internet e ar-condicionado. Será o hotel mais caro da viagem ao sudeste asiático, e o mais arriscado: poucas informações na internet.


Em Chiang Mai ficaremos no Dozy House. 850 THB (21 euros) por noite com a mesma combinação de café/ar/internet. Fica dentro da antiga cidade murada, porém do lado mais afastado das atrações. Mas o preço e a quantidade de elogios e o atendimento por e-mail que já começou bem nos conquistou. Poucos minutos depois da reserva já recebemos e-mail confirmando.





Já em Bankok, optamos por não ficar na já famosa região dos mochileiros, a Khao San Road. Ficaremos na região chamada de Silom. O hotel será o Baansilom Soi pagando 3.1360 THB (34 euros) por noite. Também com café, internet e ar-condicionado. 


Todos os hoteis foram reservados pelo www.booking.com. O preço pelo site do www.agoda.com era um pouco menor, mas a diferença não chegava a 1 euro por noite. E como adoramos o booking e nunca tivemos problemas, preferimos continuar com ele. Todas as reservas podem ser canceladas sem custos. Ou seja, se alguém tiver dicas e recomendações ainda dá para mudar.

Mais fotos e informações sobre os hotéis depois de passarmos por eles. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Com quanta antecedência começar a planejar?

Com muita. Acho que uns cinco anos seria o ideal.

Ok, estou de brincadeira. Quanto antes começamos a planejar grandes mudanças de vida, melhor, mas também não precisamos exagerar. Nós tomamos nossa decisão com mais de dois anos de prazo - e aí, logo depois, perdemos a paciência e decidimos adiantar a data em quase um ano. O problema de bater o martelo com muita antecedência é que rola uma grande ansiedade (pelo menos com a gente foi assim).

Tecnicamente, talvez um semestre seja suficiente para se preparar direitinho. A primeira preocupação tem de ser as vacinas - se você pretende conhecer a Ásia, por exemplo, tem de tomar de hepatite A e B, e as duas são aplicadas em mais de uma dose, sendo que a última é seis meses depois da primeira. Passaporte e vistos também são providências importantes - melhor começar a investigar os processos e juntar a documentação com tempo de sobra.

Talvez o ideal seja se programar para ter tudo resolvido duas semanas antes da data final verdadeira. Porque imprevistos acontecem: o cartão atrasa para chegar na agência, o sistema não aceita a troca de senha, o hospital não recebe a vacina no dia marcado (histórias reais -  e todas aconteceram hoje). E se a sua partida está marcada para amanhã, a coisa fica muito feia.

Então, além de tempo, tem outro elemento importantíssimo nas preparações: paciência. Muita mesmo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Viajando de avião pelo sudeste asiático

De Cingapura vamos voar para Phuket na Tailândia. Opções de voos pelo sudeste asiático por companias aéras de baixo custo é o que não faltam. Durante nosso roteiro, voaremos por três: JetStar, Vietnam Airlines (que não sei se podemos considerar low cost) e a AirAsia (na maioria das vezes). 

Para dicas de como escolher seu voo por estas empresas, quanto levar de bagagem e o que está ou não incluído na passagem, nada melhor que consultar estes posts da Drieverywhere. É meu blog preferido sobre viagens. A Dri é minha fonte inspiradora. Quero ser como ela quando eu crescer! 

Em Phuket vamos passar uns dias sem fazer nada, só curtindo férias das férias. Confesso que foi a parte que mais deu trabalho no roteiro. Não foi fácil nem decidir se queríamos mesmo visitar. Quem nos conhece sabe que praia não é a nossa praia. Mas, no final, a chance de conhecer um destino de praia muito famoso e recomendado pesou mais do que nossa falta de vontade. Quem sabe passaremos a gostar de praia?

Como se livrar de todos os seus bens e gastar todo o seu dinheiro

Eu acredito que existam vários métodos, que incluem apostas em cavalos e tardes em bingos, mas a gente resolveu usar uma tática diferente: vender tudo e gastar viajando.

Para falar a verdade, no início tentamos preservar uma casa (e seu conteúdo) no Brasil. Mas rapidinho percebemos que as despesas envolvidas tornariam a aventura inviável. Pensamos então em deixar nossas posses em um guarda-móveis. E nos demos conta que não faria o menor sentido, nem financeira nem psicologicamente. Além do custo, fica  a preocupação: será que estão cuidando dos meus objetos direitinho?

Vencer a barreira psicológica de "não ter casa" foi um passo decisivo para nossos projetos saírem do plano dos sonhos e virarem realidade. Na vida, tudo é questão de escolhas: o que estou disposto a perder aqui para ganhar lá?

Não vou mentir: às vezes dá um frio na barriga. Mas queimar pontes atrás da gente (mudar do apartamento  grande para o quarto-e-sala mobiliado, vender todos os móveis, pedir demissão - o Leo - e licença - eu) também nos empurra para frente.

A única direção que nos resta é avante.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Segunda parada: Singapura

Nosso segundo destino asiático, ainda mais ocidentalizado que o primeiro, é Cingapura. Vamos ficar quatro dias inteiros por lá. Dizem que é uma cidade muito arrumada e muito certinha. É tão certinha que até mascar chicletes é considerado ilegal e dá multa. Imaginem bebida alcoólica!

Aqui, mais uma vez, vamos ficar em um albergue. Os preços de hotéis em Cingapura são parecidos com os de grandes capitais europeias... ou com o de qualquer cidade brasileira, rs.

Vamos nos hospedar no The Concept Hostel Matchbox. Uma coisa está garantida nesta viagem: todos os albergues tem nomes engraçadinhos, grandiosos, ou os dois ao mesmo tempo. 

Conseguimos diárias de 38 euros por uma cama de casal em um quarto compartilhado pelo site hostelworlds, mais um bom site para reservas em albergues. 

Dizem que é possível conseguir preços melhores na hora, mas preferimos não arriscar. A diferença de preço não paga nosso estresse de chegar e poder não ter vaga. Até porque o site do hostelworlds dizia ter apenas mais uma vaga. 

O albergue é muito bem avaliado na internet e teve boas recomendações da Ellen e do Antônio do viagemafora, excelente blog de viagens. 

Vai ser no mínimo bizarro dormir por lá. Olha só: 
Cama de casal em beliches! Chuveiros coloridos!
Sem dúvida essa será uma viagem  com muitas emoções. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lyon x Bruxelas

Depois da temporada no sudeste asiático, nossos planos envolvem um mês de estudo de francês seguido de um mês em Paris para testar o que aprendemos. Ok, confesso que é desculpa. O mês em Paris é porque Paris é Paris e amamos aquela cidade. 

Como a Lud já fez aulas na Aliança Francesa aqui no Brasil e a irmã dela já estudou na de Paris e aprovaram, optamos por estudar nela na Europa. Existem Alianças em vários países e cidades. Mas são poucas que possuem curso intensivo de um mês começando o tempo todo.

A de Paris tem turma nova começando toda segunda. Algumas outras cidades têm turma nova todo início de mês. Entre as opções que vimos, Bordeaux, Nice, Strasbourg e Lyon.

Inicialmente optamos por Lyon, terceira maior cidade francesa, com o curso na Aliança mais barato do país. Cidade com muitos museus, capital gastronômica da França, custo de vida menor do que o de Paris e que podemos usar como base para explorar uma região da França que  não conhecemos. Passeios para Chamonix, Dijon, Annecy e Genebra (que sempre vale um retorno)  pesam a favor da cidade.

O problema de Lyon é conseguir onde morar por um mês. Como é uma cidade universitária, locações de curto prazo são difíceis. Pelo menos para nós está sendo. Até conseguimos alguns bons apartamentos, bem localizados, de bom tamanho, equipados e com preços entre 550 e 750 euro por mês, com tudo incluso. Mas quase nenhum responde aos questionamentos. E os que respondem ainda não sabem se estarão disponíveis para alugar em março do ano que vem. Todos parecem estar esperando para fechar um contrato de seis meses com um estudante universitário.

Ontem, revendo fotos de viagens antigas, lembramos de Bruxelas. Fomos pesquisar e descobrimos que existe Aliança Francesa na cidade, com cursos intensivos iniciando toda primeira segunda-feira do mês e só 7 euros mais caros que Lyon. Ou seja, até aqui tudo bem. Procuramos apartamento e achamos um sensacional por pouco mais 800 euros por 31 dias. Tudo incluso: água, luz, aquecimento, internet, máquina de lavar roupa. E, para completar, localização excelente, a 1,3 km a pé da Aliança - que por sinal fica localizada numa região muito boa de Bruxelas. 

Já conhecermos Bruxelas e ela tem lugar cativo em nosso coração. Excelentes museus (o de instrumentos musicais vale uma viagem), cidade cosmopolita, muito bem localizada (podemos usar como base para visitar locais da Bélgica que não conhecemos e voltar am cidades ótimas como Brugges, Antuérpia e Gent) e com muitas opções de voos para a Europa a preço de banana.

Banana mesmo. Tem voo de Bruxelas para Budapeste por 9 euros! Isso mesmo, 9 euros (lógico que sem marcação de assento e sem poder despachar bagagem).

E os chocolates e cervejas belgas? E as batatas fritas? Quem nos conhece (e para quem está conhecendo) sabe que podemos viver o resto da vida de batatas, chocolates e cerveja. Desde que a cerveja seja belga!

Contra Bruxelas apenas o custo um pouco maior do apartamento e o fato de já conhecermos a cidade -  novidade é sempre bem-vinda. 

O sofrimento causado por esta dúvida é tão grande que quase estou enviando o post para o classemediasofre


domingo, 25 de novembro de 2012

Sabático X Carreira

Eu costumava dar uns suspiros e dizer que não ainda não tinha descoberto o que eu queria fazer na vida. Um dia a ficha caiu: considerando que eu tinha 35 anos, era obrigada a admitir que - como dizem os americanos - "this ship has sailed". Isto é, esse barco já tinha partido; a hora para essas considerações já tinha passado. Com dois diplomas, uma pós e vários anos no mercado de trabalho nas costas, eu tinha uma carreira, ainda que não fosse a dos meus sonhos. Pano rápido.

E aí, né, sabático. Começo a ter ambições de novo. A achar que estou diante de uma nova oportunidade de escolher o que quero fazer. É uma segunda chance na vida!

Fico ansiosa para começar. Mas li, em algum site americano - de uma pessoa que largou tudo e agora ganha a vida ensinando as pessoas a largarem tudo - que a primeira coisa a fazer depois que você se despede (definitiva ou provisoriamente) do emprego é... nada. Passe pelo menos um mês - ou mais, se possível -  curtindo/viajando/aproveitando.

Depois de engasgar com meu iogurte de morango, acabei reconhecendo a sabedoria do conselho. Como o site diz, começar a procurar uma atividade rentável imediatamente só faz com que você caia na mesma armadilha da qual está tentando se livrar. O ideal é descansar, refletir, se analisar e, algum tempo depois, com calma e distanciamento, começar a pensar no futuro.

Então vou tentar me conter.

Tentar.

Viajando de trem

No Brasil, viajamos de trem uma única vez: de Coronel Fabriciano para Belo Horizonte. Quase 6 horas de viagem para percorrer pouco mais de 200km. Confesso que não dá para recomendar muito.

Pelo Europa, já viajamos muito. E adoramos. Achamos que é uma das melhores maneiras de se locomover por lá. Não se perde tempo no deslocamento até os aeroportos, cada vez mais distantes do centro das cidades, e ainda se evita as horas gastas com check-in e procedimentos de segurança.

Em nossa viagem pela Ásia, resolvemos fazer alguns trechos de trem. Consta que praticamente todas as linhas foram construídas pelos ingleses durante o período colonial. E estrada de ferro eles entendem, né?

Assentos transformados em cama.
Clique aqui para ver como são montadas.
Nosso primeiro trem será de Kuala Lumpur para Singapura. Vamos pegar um trem noturno - vai ser a primeira vez que dormiremos sobre trilhos! Além de termos uma experiência nova, vamos  acabar economizando uma diária de hotel. 

De Kuala Lumpur para Singapura, dá para voar por 25 eurinhos (o voo é curto, cerca de uma hora de duração). Mas preferimos o trem, que  custa 11 euros e demora quase 11 horas. A economia na passagem é pouca, mas se acrescentarmos os custos de locomoção entre o centro da cidade e aeroporto e a noite de hotel, a coisa muda de figura. E é tão moderno que dá para comprar a passagem online pelo site, emitir seu e-ticket e no dia só embarcar e curtir.

Esperamos que valha a pena. As informações que achamos na internet só falam bem do tem e da rota. Aproveitamos para deixar a dica: quer viajar de trem? O site seat61 tem tudo que você precisa saber de como viajar de trem em qualquer lugar do mundo!

sábado, 24 de novembro de 2012

Primeiro destino asiático: Kuala Lumpur

Nosso primeiro destino no sudeste asiático será Kuala Lumpur.

Saíremos de Frankfurt no fim de janeiro em um voo da Ethiad Airways. Em Abu Dhabi faremos escala (bem longa, de 7 horas) com troca de aeronave.  Normalmente a gente tentaria evitar uma escala tão grande, mas como estamos sem pressa e era a passagem mais em conta, vamos aproveitar para conhecer o aeroporto de lá.  A segunda perna da viagem nos leva a Kuala Lumpur. 

Foto: David Astley
As passagens custaram 650 euros por pessoa, compradas diretamente no site da Ethiad Airlines, sem nenhum problema. Gosto de comparar o custo com o valor de uma passagem BH-Kuala Lumpur-BH. A mais barata que existe hoje sairia por 2.376 euros voando de KLM de BH para SP, depois Amsterdam e finalmente Kuala Lumpur. Ou seja, mais caro que a soma de nossas passagens BH-Lisboa-Frankfurt-Lisboa-BH MAIS essa perna Frankfurt-Kuala Lumpur-Frankfurt. E para voos nas mesmas datas. 

Fica portando mais uma dica: quer ir para o outro lado do mundo? Vai para a Europa primeiro. Fique uns dias, depois vá para a Ásia voltando para a Europa. Fica mais em conta e você ainda leva de quebra um pit stop em alguma cidade europeia, o que ajuda a quebrar a troca brusca de fuso horário. Jetlag é fogo mesmo.

Por causa do jetlag, fechamos em 4 noites em Kuala Lumpur. A gente acha que gastaremos o primeiro dia inteiro só para aclimatar e acostumar com a mudança do fuso. 3 dias inteiros em Kuala Lumpur deverá ser mais do que suficiente. E achamos uma boa porta de entrada para o Sudeste Asiático, pois é um dos destinos mais ocidentalizados por lá. Ou seja, começaremos a viagem com pouco estranhamento em termos de costumes. 

Em Kuala Lumpur terei minha primeira experiência em um albergue. Ficaremos no Hostel Reggae Mansion Kuala Lumpur Hostel. Só o nome (que a gente fala com sotaque jamaicano) já merece a estadia. Fechamos pelo site hostelbookers , que era o site com melhor custo: 25 euros a noite para duas pessoas com café da manhã. Foi a opção que achamos para não gastar muito, uma vez que a maioria dos hoteis são bem caros nesta cidade.

Fachada do hostel (tirada do site hostelbookers)
Juntando a necessidade de conseguir dormir bem devido às horas de voo com a primeira experiência minha em um hostel, optamos por um quarto duplo privado. Só o banheiro é compartilhado. E ficando no quarto misto para 6 pessoas nem estava tão diferente assim: apenas 4 euros mais em conta por dia para nos dois. 

Veremos se vou ficar fã de albergues como a Lud ficou depois de sua experiência na Alemanha. 

Foto do quarto privado (tirada do site hostelbookers)


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Roteiro para os primeiros meses

Quase tudo acertado para o primeiro trimestre de 2013. Já temos passagens para a Europa, da Europa para o Sudeste Asiático e um lindo apartamento alugado em Paris para Abril.

Aqui a nossa rota inicial.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Escolhendo onde ficar: nosso apê em Lisboa

Escolher onde se hospedar ficar durante uma viagem é assunto que rende um livro. Muitas variáveis devem ser levadas em conta: destino, datas (fim de semana ou meio de semana), estação, quantidade de dias, quantidade de pessoas, objetivo da viagem, opções existentes no destino, se há amigo/familiar morando por lá, se há opções em sites como o Couchsurfing... Isso sem falar em coisas óbvias como o preço e se você  vai usar a estadia apenas para dormir ou se ela é uma atração em si.

Sobre custo: Portugal é um destino relativamente barato na Europa. Possui albergues com preços bem em conta e apartamentos com valores interessantes, mas hotéis mais caros que o país vizinho, a Espanha. Também não é difícil encontrar um brasileiro amigo, ou amigo dos amigos, que se disponha a receber umas visitas. 

Como vamos ficar 10 noites, resolvemos não abusar de nenhuma alma caridosa. Início de ano, todo mundo  se recuperando das festas e ainda ter que aguentar visita na sua casa? Não, a gente tem bom senso. 

Também descartamos a opção hotel. Como vamos ficar vários meses viajando, cada centavo economizado pode fazer diferença no futuro. Então, só se achássemos algo muito barato, coisa improvável em Portugal. 

(Para quem vai ficar poucas noites e quer ter um local cheio de mordomias para descansar e não precisar mover um dedo, hotel é uma boa. Afinal, há quem queira mais é curtir e descansar nas férias - ter que arrumar a cama ou colocar a toalha para secar já vira trabalho. É por isso mesmo que hotéis são as opções mais caras. É bom lembrar também que no custo do hotel estão incluídas coisas que muitas vezes você não usa. Logo, se não quer piscina, academia e sala de conferências, fuja de um hotel que ofereça tudo isso. Esses mimos serão rateados por todos que lá se hospedam. 

Albergues são uma opção barata e bacana. Lógico que falo isso em teoria, já que até hoje nunca me hospedei em nenhum deles. Só a Lud. E olha que ela era fresquinha (intervenção da Lud: que nada! eu já estava superdesapegada!) e adorou a experiência. Tá certo que foram albergues... na Alemanha.

Quanto a mim, confesso que tinha um certo receio, aqueles preconceito bobo (como se existisse preconceito inteligente). Até que um dia li em um site de viagem um comentário que mudou meu jeito de ver as coisas: poxa, você topa dormir e usar o banheiro de um avião lotado de pessoas mas tem frescurinha de dividir um quarto muito mais confortável que o avião com bem menos pessoas? O mesmo vale para trem noturno. Então, já tem vários albergues na programação do sabático. 

Outra vantagem de albergues é a chance de interagir e conhecer várias pessoas de todo o mundo. E a chance de vocês terem algo em comum para conversar é enorme. Quer um exemplo? Viagens, é claro!

Porém, como somos duas pessoas, o albergue começa a perder um pouco outra vantagem, o custo. Somando o valor para duas pessoas, muitas vezes o preço de um albergue pode se aproximar do valor de um quarto exclusivo. Sem contar que é raro existir desconto para estadias mais longas em albergues. Pelo contrário: já vi albergue que, de ter fama de ser tão bom, não deixa as pessoas ficarem muito tempo, exatamente por causa da demanda alta. 

Pesquisando apartamentos, vimos que Portugal, e Lisboa principalmente, possui uma grande oferta de apartamentos para temporada. E oferta grande normalmente é sinônimo de bons preços e qualidade. Em Portugal não é diferente: achamos vários apartamentos interessantes para alugar. 

Sinceramente, eu acho apartamento a melhor opção de hospedagem. Você junta o custo menor de albergues com a exclusividade e privacidade de hoteis. Ainda leva no pacote, normalmente, opções como máquina de lavar, secar, cozinha montada e equipada. Acho tão divertido poder passear em supermercados, mercados e feiras para comprar coisas locais e comer em casa! E olha que nem somos bons de cozinha. Para quem sabe e gosta de cozinhar, recomendo ficar em apartamentos de olhos fechados.

Ah, e nos apartamentos podem caber mais pessoas. Ou seja, ainda dá para socializar, alugar apartamento de mais quartos e dividir com amigos, receber a irmã que está em Frankfurt... Geralmente os donos do apartamento fazem de tudo para que sua estadia seja a melhor possível. E como são locais, conhecem tudo e dão ótimas dicas da cidade/país. Eles sabem que a propaganda é a alma do negócio deles. Hóspede satisfeito é um hospede que vai comentar em sites de turismo, vai fazer uma boa avalização no site de aluguel, vai recomendar para os amigos.

Um porém que várias pessoas têm contra apartamentos são os fatos de que você mesmo terá que limpar/arrumar e se preocupar com a cama e banho. Como já falei, tem gente que quer férias para não ter que fazer isso. Respeito e ainda recomendo ir para hoteis.

Outro problema é: será confiável? Será que o apartamento é o que dizem na propaganda? Não será um golpe para roubar meu lindo dinheirinho? 

Bom, brasileiro tende a ser desconfiado e achar que todo mundo quer enganar todo mundo. Já li um relato de uma moça que viajou e ficou em um albergue. A maior preocupação dela era com o "tiozinho" que estava dormindo no quarto. Ela achava que seria estuprada durante a noite e só relaxou ao ver que no quarto teriam mais meninas e que portanto daria para FAZER TURNO VIGIANDO. 

Eu já sou totalmente o contrário. Acho que até demais. Acredito que todo mundo é bom, que todos são almas caridosas e raras são as pessoas que querem fazer mal as outras. Mas voltando ao assunto do apartamento, como não embarcar em uma roubada? 

Primeiro: usar sites especializados e com boa reputação. Mesmo nesse sites, dê preferência para apartamentos que já foram alugadas e possuem recomendações. Veja as fotos, use o google street view para ver se o apartamento realmente existe. Peça para algum amigo ir lá. Ou vá você mesmo. Fique  algumas noites em hotel/albergue e depois alugue o apartamento. 

E tenha bom senso. Poxa, se a maioria dos apartamentos para alugar custam no mínimo mil euros por mês por 15 metros quadrados em Paris, tá na cara que o apartamento de luxo com 100 metros na Ilha de Saint- Louis por 600 euros/mês anunciado no Craigslist é golpe. Principalmente se o anúncios pedem para você fazer um depósito, adiantado, em uma conta particular....

Sites especializadas são uma boa pedida não só pela segurança de poder ler a análise de inquilinos anteriores como pelo fato de muito deles fazerem o meio de campo. Lógico que eles cobram por isso. Mas tem site que recebe o dinheiro e só libera para o dono depois que você fez o check-in e deu seu ok. Tem site que permite o pagamento via cartão e/ou via paypal. Só preste muita atenção antes de fechar. Verifique se o valor cobrado engloba tudo, se não tem nada extra como consumo de luz/água/aquecimento, taxas de administração, taxa de turismo. 

Voltando ao nosso sabático, resolvemos alugar um apartamento muito bem localizado, com excelente custo/benefício, ótimas referências e um proprietário que já está sendo muito prestativo, no www.airbnb.com. 

Vai ficar por 480 euros as 10 noites com todos os confortos de uma casa moderna: cozinha equipada, roupa de cama e banho, água, luz, tv, internet, lavadora/secadora de roupa. E vamos curtir o espaço monstruoso. Comparado com nossa casinha atual, este apartamento é uma mansão. Existem algumas opções ainda mais em conta. Mas a gente queria começar a viagem com luxo e vida boa. Pena que em Paris a gente não ache nada parecido com preço semelhante. E já aviso: se você achar, é golpe.

Até achei um albergue mais barato: 340 euros para nós dois em quarto compartilhado. Não era tão bem localizado como o apartamento. E sem levar em conta o aluguel de locker, toalha, lavagem e secagem de roupa. Acaba que o apartamento vai ficar um pouco mais caro na ponta do lápis, mas vai oferecer um conforto maior no início da viagem. E vamos poder testar, mesmo por um curto período, como seria viver em Lisboa. Quem sabe a gente agrada e resolve passar uma temporada maior?

Além deste site, já usamos também:
www.vrbo.com
www.homeaway.com
www.roomorama.com
www.homelidays.co.uk

Outra opção interessante são os sites de house sitting como o http://www.trustedhousesitters.com/.

Não usamos ainda mas estamos doidos para testar as opções de house sitting. Em teoria é um toma-lá-dá-cá. O proprietário tem alguém para olhar a casa, molhar as plantas, cuidar dos animais e o turista ganha uma estadia de graça ou barata. Em Paris quase conseguimos um apartamento por 13 semanas por 600 euros no total neste site aqui. Mas o proprietário acabou desistindo das próprias férias. Uma pena. Mesmo tendo que limpar a caixa de areia de um gato, eu faria coisas bem piores para ficar em Paris por 3 meses pagando só 600 euros. 

Existem muitos sites parecidos do tipo. Basta procurar na internet house sitting que você achará boas opções. Se alguém já experimentou, conta para a gente o que achou.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Incrementando o roteiro

Começamos a definir e incrementar nossa viagem. Depois de 10 dias em Lisboa, vamos para Frankfurt no voo já incluso.

Lá, resolvemos ficar 10 dias na casa da irmã I. E o próximo destino já está acertado e comprado. Vamos voar de Ethiad Airlines de Frankfurt para Kuala Lumpur. Vamos curtir um pouco do Sudeste Asiático durante o pico do inverno europeu. Ficaremos do dia 21 de janeiro a 27 de fevereiro por lá.

Vamos passar pela Malásia, Singapura, Tailândia, Vietnã e Camboja. Depois voltaremos para Frankfurt. O interessante é a diferença de custos das passagens. Nossas passagens do Brasil para Europa, ida e volta saiu por quase 1200 euros por pessoa. Frankfurt para Kuala Lumpur e a volta por 650 euros. E olha que o voo BH Lisboa dura nem 10 horas. O voo para Kuala Lumpur é dividido em 2 voos de 7 horas. Faremos uma escala em Abu Dhabi. E poderia ser mais em conta.

E poderia ter sido ainda melhor. Achamos o voo inicialmente por 565 euros. Resolvemos dormir na ideia e nos demos mal. Ao acordar no dia seguinte, resolvidos que iríamos, demos de cara com o aumento da passagem. Por isso fica novamente a dica: quanto mais cedo comprar, mais barato vai ser.

domingo, 18 de novembro de 2012

Será que devo acreditar que o mundo conspira a nosso favor?

Em início de maio, entramos em contato com a proprietária do nosso apartamento alugado em Brasília. Queríamos negociar o aluguel. Como vamos embora no final do ano, somos excelentes inquilinos e sabemos da dificuldade que seria realugar o imóvel, tentamos chegar em um ponto comum que seria bom para os dois lados.

Nossa proposta era reduzir o aluguel de 2.700 reais por mês (sim, este é o preço de um apartamento em Brasília com 3 quartos na Asa Sul) para 2.300. Em contrapartida, nós iríamos fazer propaganda do apartamento, poderíamos receber interessados ( ver apartamento mobiliado e arrumado ajuda), deixaríamos as cortinas, telas, a geladeira e o forno elétrico, únicos eletrodomésticos que faltavam na cozinha montada.

A dona não aceita crianças ou animais de estimação. Ou seja, não é exatamente um apê fácil de alugar, certo? Mas ela não quis nem conversar. Como diz a Lud, ela deve ter falado "esses dois não merecem teclar com meu apartamento!", estilo Xuxa e Sasha no Twitter.

Fiquei danado. Quem em sã consciência deixaria passar proposta tão boa? Fiz as contas e mandei para ela: um mês sem a gente por lá já daria um prejuizo de 3.100 (é, o condomínio são mais 400 pilas). Mais do que a redução dos 6 meses.

Bom, de posse da resposta da dona ("não, obrigada"), começamos nosso novo planejamento. Procuramos outros lugares, mais baratos, menores e mobiliados, e começamos o processo de vender tudo.

Durante a procura, passamos alguns perrengues com proprietários que imaginavam que seus imóveis eram palácios vitorianos ("nem um prego pode ser colocado na parede!"). Uma proprietária queria filmar o apartamento na vistoria para garantir que nenhuma alteração seria feita. Já pensou o horror? Um prego na parede! E pagar 6 meses de aluguel/condomínio adiantados não era suficiente. Os proprietários queriam, fiador, seguro caução, além de ficarem de frescurinhas e mimimi,.

Bom, notificamos a imobiliária de nossa saída e começamos nossa venda. Não só vendemos quase tudo rapidamente como conhecemos excelente compradores. Foi uma experiência legal. Acho que só tivemos um comprador que chegou, entrou, pegou, pagou e foi embora. Todos os outros sentaram, bateram papo, conheceram nossa ideia de sair pelo mundo, incentivaram, desejaram sorte, ajudaram a fazer propaganda e alguns casos sabemos que estão tomando conta de nossos antigos bens com  mais carinho que nós. Sem contar os compradores que viraram amigos e os compradores que até comida levaram para a gente no dia de buscar os móveis, pois ficaram com dó da gente morando numa casa sem geladeira e sem comida nos últimos dias.

A cereja do bolo foi a Dona Elzi. Vizinha nossa de prédio, chegou, conversou, comprou nosso criado mudo e depois voltou com o filho e a nora. Resultado final: nos alugou o apartamento dela, bem localizado, sem frescuras, sem problemas, equipado e mobiliado e com nosso antigo criado mudo. Tudo acertado de forma rápida e sem estresse.

Mudamos, aprendemos a morar em local pequeno, acostumamos e resultado final é que aprovamos. Vimos que não só é possível sair de um apartamento de quase cem metros para um de vinte e poucos, mas que é possível ser feliz com pouco. Na verdade nem podemos falar que é pouco: temos é muito comparado com muita gente. E o que temos é perfeito para nós.

Ontem mesmo, ao fazer a mala para vir para Belo Horizonte, resolvi aproveitar para já trazer mais coisas para guardar por aqui. Achei uma gaveta de roupa que estava "abandonada" desde quando mudamos, quase 5 meses atrás. Ou seja, mesmo o nosso pouco ainda é muito.

* * *

Sobre a viagem: primeiros 4 meses praticamente acertados. Só estávamos com problema para comprar uma perna de voo dentro do Vietnã. Aproveitei a ida a BH para usar os cartões de crédito do meu pai. E nada, mesmo erro no site. Pesquisando na internet vi que várias pessoas acusam o mesmo problema na tentativa de compra online.

A tentativa final foi pedir para a irmã I. na Europa tentar. E não é que deu certo? E olha só: depois da compra efetivada, chega a mensagem de que, para evitar fraudes, na hora do check-in no aeroporto é necessário exibir o cartão usado para fazer a compra. A outra opção é ir a uma loja física da Vietnam Airlines com o cartão para emitir os bilhetes físicos. E adivinhem onde existe uma loja destas? Em Frankfurt, a 4 km da casa da irmã I. Imagina se a compra funcionasse com o cartão do meu pai? Teria que levar o cartão dele comigo por meses?

É o mundo conspirando? Pode ser. Ou pode ser o bom planejamento... e a animação: só reparamos no que dá certo.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Paris

Passar um mês durante a primavera em Paris e comemorar o aniversário da Lud? Agendado, reservado e pago!

O processo de seleção do apartamento envolveu meses de pesquisa em inúmeros sites, terminando com um campeonato mata-mata em os 24 melhores apartamentos.

Depois de uma tarde de overdose de fotos, resenhas, pesquisas e cabeça fundindo, finalmente tivemos um campeão. Depois colocamos mais informações sobre o apartamento vencedor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

E o seguro de viagem, como é que fica?

Um seguro de viagem serve para várias coisas. A mais importante é ficar tranquilo em relação à despesas médicas em caso de necessidade, mas há diversos países que só deixam você entrar no território deles se você comprovar que tem seu segurinho.

Atendimento médico, até hoje só precisamos usar uma vez. Em meados dos anos 90, em uma viagem de uma semana para Aruba,a Lud teve uma dor não identificada na região abdominal. No hospital, não descobriram o que era, mas deram uma injeção de analgésico e ficou tudo bem.

Até hoje, com exceção da viagem para a Nova Zelândia, nunca nos solicitaram um comprovante de seguro, nem em viagens para os EUA. A gente tem cara de casalzinho sossegado (parece que a imigração implica mais com os/as solteiros/as jovens). Ter vários vistos e carimbos no passaportes também deve ajudar ("se esses dois nunca se instalaram em país estrangeiro nenhum, não é aqui que eles vão resolver ficar"). Ah, e também nunca passamos pela Inglaterra. Dizem que lá eles são bem criteriosos.

O caso mais extremo foi na Suíça, quando nos ignoraram completamente na imigração. Tivemos que implorar para termos os passaportes verificados e carimbados (e a gente implorou, porque iríamos sair da Europa por Praga. Vai que lá alguém questiona como chegamos se não temos um carimbo no passaporte?).

Na Nova Zelândia foi o contrário: a imigração mais longa que tivemos. Como lá eles dão o visto na hora, a burocracia é maior. A agente da alfândega pediu nosso seguro - e também o roteiro, passagens, reservas... Diga-se de passagem que ela ficou muito feliz ao receber a pasta vermelha, com tudinho impresso e em ordem cronológica. Ela tirou cópia de tudo e devolveu junto com os vistos.

A Lud não precisa de nada para entrar na Europa. Oh inveja do passaporte vermelhinho dela. Como cidadã portuguesa ela tem saúde pública por lá. Eu, em teoria, terei direito após a emissão da minha autorização de residência. Mas até ela sair, resolvemos olhar um seguro de saúde por via das dúvidas.

Como sempre, apostamos no seguro do cartão de crédito. Temos um cartão Mastercard Platinum (herança de quando a empresa na qual eu trabalhava trocou de banco, e o banco quis agradar os funcionários).  Após comprar as passagens, basta ligar para o serviço de concierge que eles fazem a emissão do seguro para o Tratado Schengen, exigência da União Europeia para adentrar em seu território. Mesmo se você não tiver um cartão Platinum, ligue na central Mastercard para verificar se você não tem direito.

Ultimamente o atendimento tem sido muito bom. Já foi a época que ligava lá e os atendentes não tinham nem ideia do que era o tal de "Schengen". E sendo honesto, nem eu sabia muito bem o que era. O telefone para ligar do Brasil é o 0800-891-3294. Difícil de achar no site da Mastercard.

Se tiver um cartão com direito ao atendimento de um concierge, ligue direto no 0800-725-2025. Em 24 horas você receberá pelo e-mail sua apólice de seguro. Basta imprimir, adicionar na sua pasta de papeis de viagem e pronto.

Ou, se preferir e quiser fazer uma viagem "verde", salve o arquivo na sua conta do dropbox, sincronize com seu espertofone e pronto. Terá uma cópia do arquivo acessável a qualquer momento. Só não recomendo para viagens para a Inglaterra e para a Itália. Na Inglaterra vão querer ver o papel. Na Itália vão deixar você entrar, mas vão querer ficar com seu telefone.

Atualização: o Ramon Vieira, nos comentários, esclareceu que o seguro do cartão de crédito permite a entrada na Europa, mas que a "cobertura efetiva" do atendimento do seguro oferecido é limitada ao país destino impresso na passagem internacional, desde que a origem seja o Brasil.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Viajar (quase) sem papel

A tecnologia é uma mão na roda para os viajantes.

Normalmente, a gente imprime todos os e-mails de confirmação de reserva de acomodações/compra de passagens/ingressos em atrações. Fica tudo em uma bonita pastinha vermelha, para ser apresentada prontamente em hotéis e pontos turísticos.

Mas, no ano passado, decidimos abraçar a minimalismo e fazer nossa viagem para a Itália com quase nada impresso. Exceção: os tradicionais papéis que podem ser solicitados em alfândegas, como seguro de viagem, contracheque e certidão de casamento. Todos os outros ficaram disponíveis online e no espertofone que ficava disponível até sem conexão de internet.

Para fazer isso, recomendo o site www.dropbox.com, que possibilita armazenar arquivos na internet e sincronizá-los entre computadores, tablets e celulares.  A opção de armazenar uma cópia offline do arquivo é perfeita para espertofones: mesmo sem conexão você tem uma cópia dos arquivos principais a mão.

Até mesmo a reserva para subir na torre de Pisa ficou para trás. Chegamos lá, mostramos o número da reserva na telinha do aparelho e trocamos pelo o ingresso definitivo.

(Não antes do atendente brincar que ele devia ficar com o espertofone como prova da reserva, claro.)

Primeira escala: Lisboa

Dia 31 de dezembro, alguns minutos antes da virada do ano, vamos embarcar no voo da TAP que sai de Belo Horizonte com destino à Lisboa.

Aproveitamos para dar algumas dicas para comprar passagem aéreas:

1) Tente não viajar na alta temporada. No Brasil, passagens no período de férias e feriados prolongados são muito mais caras. Fim de ano é ainda pior: são férias escolares no Brasil - e portanto alta temporada - e também alta temporada no hemisfério norte. Além do recesso do período de festas, é a época que o pessoal por lá gosta de viajar para fugir do clima frio para os destinos tropicais.

2) Compre com antecedência. Quanto mais cedo, mais barato vai ser. Principalmente para voos longos e de companhias aéras que não são low cost.

As companhias trabalham com mapa de assentos: cada voo tem X assentos com preço promocional, Y com preço um pouco mais baixo, Z com preço normal e por aí vai. Quando se compra uma passagem perto da data do voo, adivinha que assentos vão estar disponíveis?

Hoje em dia é raro uma companhia aérea fazer promoção para vender na véspera assentos que estejam sobrando. É que isso não tem acontecido. Faz tempo que não pego um voo de longa duração vazio. Sempre cheio ou muito cheio. Até mesmo o voo que fizemos de Buenos Aires para Auckland em 2007 estava abarrotado. E olha que o voo saia dia 23 de dezembro às 23:00 e cruzava a linha internacional de data. Ou seja, o dia 24 de dezembro não existiu!

3) Se tiver tempo e disposição, opte por voar com escalas. Um voo BH-Lisboa direto, sem escalas, será mais caro que um voo que sai de BH e pipoca em SP-Madrid-Lisboa. É que tempo é dinheiro. As companhias aéreas sabem disso.

4) Procure ir e voltar de cidades diferentes. Por incrível que pareça, quase sempre é mais barato - além de permitir uma logística de viagem melhor.

5) Evite, se possível, voar em fim de semana. Voos no meio da semana costumam ter preços mais em conta.

Ao ler as dicas você provavelmente se perguntou: por que eles não seguiram as próprias dicas? Por que estão indo na altíssima temporada e comprando passagens em cima da hora?

Eu explico: desde junho estamos olhando passagens. Mas só agora conseguimos a resposta no trabalho em relação à licença. E não foi por falta de insistência!

É verdade que, se deixarmos para ir no final de janeiro, depois do dia 23, os preços estariam mais baixos. Mas o que fazer com estes 23 dias por aqui? Queremos tirar um sabático para viajar pelo mundo, não por Belo Horizonte (desculpa aí, pessoal de BH). Tem hora que é melhor pagar a diferença e se divertir do que não gastar.

Além disso, seguimos algumas dicas. O preço da passagem que sai dia 31 de dezembro é um pouco melhor do que todos os demais em dias próximos. Parece que poucas pessoas querem abrir mão de comemorar a passagem do ano.

Outra dica que rendeu uma boa diferença de preço: não comprar o voo direto. O voo BH-Lisboa-BH para o período que queremos custa R$ 4.554,00. É de cair para trás o preço (o mesmo voo, a partir do dia 23 de janeiro, cai para R$ 2.338,00). Como não queríamos passar o início do nosso sabático em BH, optamos por BH-Frankfurt-BH. Valor: R$ 3.333,00.  Não é incrível? Voa-se mais e paga-se menos. Tudo porque não é um voo direto. Para ficar ainda mais em conta (menos caro, na verdade), compramos uma passagem BH-Lisboa, Lisboa-Frankfurt e Frankfurt-BH. Valor? R$ 3.123,00.

Resultado final: voaremos direto para Lisboa (que é nosso objetivo), levando incluso no preço um voo de Lisboa para Frankfurt, onde visitaremos a irmã mais nova da Lud. O voo de volta também é de Frankfurt (a casa da irmã da Lud foi eleita o hub oficial de nosso sabático) para BH. Detalhe, todos os voos acima são na mesma data, pela mesma compamnhia e no mesmo voo.

Como pesquisar estes preços? Como achar o voo mais em conta? Em gosto particularmente de dois sites: matrix.itasoftware.com para voos longos e com destino e origem diferentes (o chamado multi-city) e o www.skyscanner para voos diretos.

* Atualização (fevereiro de 2016): o itasoftware virou o Google Voos. Mão na roda para quem prefere pesquisar em português.

O itasoftware só pesquisa voos de cias grandes. Nade de pesquisa em low cost. O itasoftware também não vende as passagens. Apenas mostra o que existe. Para comprar uso o site da companhia aérea ou um agente de viagens. Já o skyscanner, após achar a melhor passagem, indica onde comprar.

Aqui você acha um tutorial de como usar o skyscanner.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sabático: parte I


Esse é o nome da nossa viagem no site de controle www.tripit.com. Para quem não conhece, fica aí a dica. 

O TripIt é um excelente site para controle de reservas de voo, hotel, passeios, transporte e o que mais desejar. Nunca usei a versão paga nem sei muito bem qual a diferença para a versão gratuita - só sei que a versão free nos atende completamente.


Ele não deixa de ser uma agenda bem elaborada com as informações de viagem, mapas e previsão de tempo. A vantagem é que você consolida todas as suas informações em um único lugar. Número de reserva, data de reserva, número de confirmação, valor pago, valor a pagar, datas e horas, plataforma ou terminal de embarque e de desembarque, dados da empresa onde comprou e da empresa que vai prestar o serviço, opções é que não faltam. 

Chegou ao destino e esqueceu como chegar no hotel? Acesse o TripIt: além do mapa para seu destino, ele deve ter o telefone e/ou outro meio de contato com o hotel. 

Lógico que o programa não faz isso sozinho. Você é quem adiciona as informações. Mas, como o site é configurado para reconhecer os e-mails de confirmação de praticamente qualquer cia aérea/trem/locadora de veículos e consolidadores de hotel, basta encaminhar o e-mail com os dados da reserva para o site que  os dados são automaticamentestes adicionados ao roteiro. O que não funcionar é só colocar na mão. E com o advento dos espertofones (a criação é da irmã I. e a gente adotou), é possível acessar o site do celular ou  do tablet. 

Outra vantagem é a possibilidade de compartilhar a viagem com amigos via sites de relacionamento ou  adicioná-los como visualizadores ou participantes da viagem. Normalmente adicionamos os familiares como visualizadores: assim eles podem saber onde estamos a cada dia e como entrar em contato em caso  de emergência.

Se não for emergência, o e-mail que a gente checa uma vez por dia dá conta. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Passagens compradas!

Estamos esperando desde julho baterem o martelo na duração da minha licença no trabalho. Depois de semanas de choro e ranger de dentes, passagens internacionais ficando mais caras a cada dia e nada de resposta, chutamos o balde e sacamos o cartão de crédito. Não importa se vou ter um, dois ou três anos de licença: fechamos a programação dos primeiros meses e pronto. Saímos do Brasil em primeiro de janeiro de 2013, 10 minutos depois do início do ano, com destino a Lisboa.

Já reservamos apartamento por dez noites na capital portuguesa. De lá vamos para Frankfurt encontrar minha irmã mais nova, levar a pipoqueira que ela encomendou e matar as saudades.

Comprar a passagem dá a maior emoção. Quer dizer que estamos indo mesmo!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Primeira noite: impressões (26 de junho)

Confesso que foi bem melhor que o esperado. Mas eu usei o método Isa de expectativas: pessoas com baixas expectativas só podem ter surpresas boas.

E realmente foi. O apartamento começou a tomar cara de casa nossa. Ainda tem várias coisas para guardar e acertar, como quadros e talvez uma nova persiana. O quarto não ficou tão claro como eu imaginava na hora de dormir. O barulho de carros passando na rua foi maior que o esperado. Mas confesso que depois que dormi nem liguei mais. E a cama, 20 cm menor que a nossa não foi um problema. Como já disseram no outro blog nosso, tudo menor nos força a ser um casal ainda mais unido e próximo. No caso, literalmente.

O único lado ruim foi ter a primeira dor de cabeça na nova casa. Mas também, foi o segundo dia sem poder almoçar, mais um dia de correria e carregamento de móveis e bens, além de um dia corrido no trabalho. Eu jurava, lá pelo meio da tarde, que já era quarta. Senti um baque violento ao perceber que ainda era só terça.

Na verdade mal posso esperar para terminar a semana e começarmos a viver realmente no apartamento novo. Hoje ainda é dia de mudança. Uma geladeira e um futon para serem entregues aos novos donos. E fora isso ainda tem as cortinas a serem retiradas, a entrega do apartamento para a imobiliária (que tenho certeza será um parto de difícil) e a retirada do resto das roupas pessoais, cama e banho que estão secando/esperando para serem passadas pela faxineira amanhã, na última ida dela lá. Ou seja, teremos também que dar um jeito nas mil vassouras e produtos de limpeza ainda no antigo apê que não cabem no novo. A boa ideia da Lud é doar para o nosso antigo prédio.

Ah, e fazer compras para o novo apartamento. Só temos pão de forma e nosso cereal.

Novo apartamento (21 de junho)

Depois de mais um dia insano de correria, o novo lar está 95% pronto e com quase todas nossas coisas. Enquanto a Lud trabalhava de verdade, em fiquei na kit coordenando a instalação da tv à cabo, telefone, internet e de maravilhosas telas contra insetos em todas as janelas da casa. Isso mesmo, todas as janelas da casa, o que totaliza o grande número de três janelas com telas. Sem contar que a janela do banheiro devia contar como meia!

Ao contrário do apartamento antigo, essas ficaram ótimas. O instalador reaproveitou material das antigas e ainda caprichou, botando nas telas um puxador que facilita a retirada.

O povo da Net foi um pouco mais incompetente. A tv está com os cabos prontos e eles não tiveram quase nenhum trabalho. Já o telefone e a internet suaram até instalar. E na verdade foram embora sem conseguir.  Prometeram que depois de umas 4 horas "sincronizando" o equipamento voltaria a funcionar. Se não era só ligar para a incrível central de atendimento e marcar nova visita. Ainda bem que depois deles irem eu arrumei  os cabos e 5 minutos depois estava tudo ok.

Depois disso me mandei para a casa antiga onde bati o recorde de carregamento do carro, trazendo praticamente todas as coisas que ficaram para trás. Pouca coisa agora para trazer. E no antigo apartamento ainda temos coisas para desfazer.

Amanhã, ao meio-dia, os novos donos buscarão a geladeira e o futon. Ou seja, mais um dia sem almoço, mais um dia pegando literalmente no pesado.

6 meses antes (21 de junho)

Hoje praticamente terminamos de fazer a mudança para o novo apartamento kitchnette. Nosso último dia de trabalho será 21 de dezembro. E ainda temos vários dias de férias para tirar e que devemos aproveitar fora de Brasília. Ou seja, não vamos chegar a dormir nela 150 noites.

Mas acho que vai ser ótimo para acostumarmos a morar em lugares pequenos e aprender a fazê-los serem funcionais.

Já terminamos de vender quase tudo que tínhamos e não vamos guardar. Algumas coisas foram para BH, para a casa dos pais, outras ainda ficaram com a gente, várias foram vendidas e muitas doadas.

Mas ainda acho que possuimos muita coisa. Aproveitamos a mudança para inventariar tudo que temos. E ainda é impressionante.

Só sei que mal posso esperar para passar logo estas 150 noites...

Segunda etapa: a cidadania portuguesa (20 de junho)

Com alguns anos de namoro, a Lud se animou com a possibilidade de eu conseguir a cidadania italiana. Mas o projeto não foi para a frente, devido à falta de documentação do antepassado e o aportuguesamento do nome italiano original.

Alguns anos depois, ela resolveu ir atrás da cidadania portuguesa dela. Deu trabalho, demorou, e no final  contratamos um advogado que registrou os documentos diretamente no sistema cartorário de Portugal. É exatamente o que o consulado português faz, só que saímos da fila. Isso tem um preço, é claro, e não é barato. Mas achamos que valeu a pena. 

Resultado final: podemos ir para a Europa de forma legal, morar, estudar e trabalhar. 

E quem acabou dando o golpe do passaporte no casamento? Eu!!!!

A decisão. E o dinheiro para bancar a decisão.

Não dá para não tocar no assunto. Por mais que a pessoa seja econômica, possua amigos por todo o mundo, não se importe de ficar em lugares baratos e viaje de carona, dinheiro é fundamental para uma aventura como a nossa.

Não temos os números exatos de quanto deverão custar os três anos sabáticos explorando o mundo. Ainda mais com as inúmeras variáveis que entram na jogada, como alterações no câmbio, convites para se hospedar de graça, bicos que podem aparecer ou até mesmo um trabalho, local ou remoto.

O plano original era juntar um bom dinheiro todo mês para antecipar a aposentadoria. O sonho era poder chegar aos 50 e poucos anos, largar tudo e ir viver na Europa.

Como somos econômicos, sempre gastamos menos do que ganhamos. Uma hora tivemos um clique: e, se em vez de esperarmos os 50 e poucos, a gente fosse antes? Afinal, nunca se sabe o que o futuro vai trazer. Hoje não temos filhos - temos é saúde, vontade e disposição de nos aventurarmos.

Vambora?

Competição de minimalismo (15 de junho)

Com os preparativos da mudança para o quarto-e-sala, eu e a Lud começamos a separar o que queremos mandar para BH, o que vamos usar até o fim do ano, o que precisamos guardar para a viagem e o que devemos doar.

Para alguém que quase nunca faz compras, fiquei surpreso ao ver o tanto de coisas que tenho. Ou seja, o tanto de coisa que ganho. E como a Lud já disse no blog do minimalismo, se eu ganho algo e não uso logo é sinal que não vou usar nunca.

Achei cada coisa nas gavetas que dava vontade de rir. O pior foi a quantidade de calças jeans. Bobear não dá para contar nas mãos. E olha que tem dois anos que vivo usando sempre as mesmas duas.

Levei para a igreja aqui perto de casa um monte de camisas, calças, roupas de frio, roupas de baixo, pijamas e dois sapatos. Acabei ficando com duas portas do armário onde ficam as roupas de trabalhar e a meia dúzia de camisas de malha que adoro usar.

A Lud já começou a se desfazer de suas roupas faz tempo. E é um orgulho dizer que até agora, quase meio ano passado, não gastamos nem um centavo em vestuário este ano. Zero.

Ontem ela terminou de separar o que vai mandar pra casa de seus pais. No final deu quase nada de roupa. A pilha da doação é que acabou crescendo. Aí começamos a comparar:
"Só estou usando três gavetas!"
"É? eu também, só que as minhas gavetas são mais estreitas!"
"Mas você ainda tem roupas em cabides."
"Você também!"

É, a gente estava disputando quem tinha menos coisa. É uma conversa que não se escuta todo dia! O próximo passo vai ser a comparação de mochila/mala de viagem: quem está levando uma menor.

Ah, lógico que a comparação é por número de peças. Se fosse por volume eu não teria chances. Minhas coisas são quase do dobro do tamanho da Lud!