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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Como ir de Ohrid, na Macedônia, para Berat, em Montenegro, sem passar por Tirana

Em Ohrid demos adeus à Macedônia, que ficará para sempre em nossos corações. País lindo, com muito potencial turístico, super barato e que esperamos que no futuro receba cada vez mais visitantes.

De lá, o plano original era seguir para Montenegro. Mas entre os dois tínhamos ou a Albânia ou o Kosovo. Aí eu pensei: "Nossa, nunca imaginei que iria à Albânia em minha vida. Mas já que estamos tão perto... vamos lá ver de qual é?".

A van novinha em folha que nos levou de Ohrid a Elbasan. Nas horas e dias futuros tivemos uma saudade enorme dela. 
Portanto, de Ohrid iríamos para a Albânia. Para onde exatamente? Tirana tem fama de ser pouco atraente (para não dizer feiosa) mas, afinal, é a capital. Nas pesquisas, muitos blogs e fóruns de discussão diziam que, se a pessoa tivesse que escolher um só destino na Albânia, que escolhesse Berat. Fechamos então em Tirana e Berat.

Também lemos que dá para fazer Berat como um bate e volta de Tirana, com muita paciência e boa vontade. São apenas 120 km,  mas demora de três horas para cima devido à precariedade das estradas. E que o melhor de Berat é a cidade de noite, ou seja, dormir lá é essencial. 

Sabendo que as estradas são ruins, a gente não queria ir de Ohrid para Tirana e de lá enfrentar boa parte da mesma estrada de novo para ir para Berat. Queríamos ir direto de Ohrid para Berat. Mas quem disse que a gente achava como fazer? Tinha até blogueiro dizendo que era impossível. Os donos das casas que alugamos em Ohrid e Berat pela airbnb, que geralmente são ótimos para dar esse tipo de dica, também não sabiam informar. O máximo que arrancamos deles é que, se alcançássemos Elbasan, na Albânia, a gente arrumaria um furgão para terminar de chegar.


Mas não é que conseguimos? E foi mais fácil do que pensávamos! E a viagem foi muito melhor que esperávamos! O que não quer dizer que não teve seus perrengues. 

A sorte começou a nos sorrir em Ohrid. Primeiro tentamos uma agência de turismo chamada Tina Tours que uma pessoa na internet indicou. Pois a moça que nos atendeu disse que não sabia como chegar a Berat, nem a Elbasen, e ponto. 

Logo ao lado, na rua paralela à rua de pedestres da cidade, andando em direção ao lago, vimos outra agência, a Travel & Tourist Center Vis Poj. Entramos e perguntamos se tinha como ir para Berat de Ohrid. A atendente também não sabia, mas para Elbasen ela ia descobrir. Pegou o telefone, fez uma ligação e nos explicou:  "vocês devem pegar o ônibus daqui para Elbasan na Albânia. Sai da cidade do lado, Struga. Mas se quiserem, eu reservo aqui para vocês e ela pega vocês aqui em Ohrid. Lá em Elbasan troca para um furgão local para Berat." Detalhe: o ônibus saía às 4:45 da matina.

Fizemos a reserva, pagamos 600 dinares macedônios (pouco menos de 10 euros) por pessoa e saímos felizes da vida. Medo mesmo era da estrada, que diziam ser o bicho, e de que ônibus seria esse. 

4:15 da manhã estávamos os dois no ponto de ônibus no meio da estrada que corta a cidade de Ohrid. Tínhamos confirmado que era lá mesmo com um policial no dia anterior. Foi fácil e seguro chegar: ruas iluminadas, galera voltando para casa da balada, polícia na rua, tudo ok. No ponto, várias das vans horríveis da empresa que nos trouxe de Skopje. Mau sinal... Mas às 4:40 chega uma nova van: uma Mercedes, novinha, linda, espaçosa, da empresa Euro Linea. Às 4:45 ela saí para Struga, só com a gente dentro. 

Chega em Struga, troca o motorista e novamente sai, só com a gente. Transfer privado por menos de 10 euros. Luxo total! Demos muita sorte. Nehum outro passageiro naquele dia. 

De Struga a van rapidamente chegou à fronteira. Tudo rápido e tranquilo. Tanto no lado da Macedônia como no lado da Albânia. País de número 50 carimbado no passaporte! Ou melhor, não carimbado. Parece que falta tinta na alfândega da Albânia. Que tristeza.

Depois da fronteira, alguns mais poucos metros de subida e a van chega no alto de uma montanha com uma vista maravilhosa. Olha, uma das mais lindas que já vi. Lago Ohrid de um lado, um super vale do outro e lua cheia no céu. Apesar de ser 5:30 da matina, já tinha um lindo sol iluminando o lago. E  nós ali, bem no topo da montanha.

Dali a estrada desceu fazendo ziguezague em dezenas de curvas super fechadas. Apesar disso, a estrada era muito boa, com o asfalto perfeito. E nosso motorista pisando firme no acelerador e voando baixo. O cara tangenciava as curvas, igual piloto de Fórmula 1! Explicado porque a van sai de madrugada: é para pegar as estradas vazias e correr feito doido. Tanto que, além de não conseguir tirar uma foto da paisagem, foi difícil relaxar e aproveitar a vista. 

Por sorte, no meio do caminho nossa van ficou presa atrás de um ônibus. Ou seja, andamos apenas a 70 por hora em locais que as placas estabeleciam velocidade máxima de 50. Sim, o ônibus grande também voava baixo!

Pouco antes da sete da manhã entramos em Elbasan. Na verdade, como a van ia para Tirana, o motorista não sabia onde nos deixar. Mas isso não foi problema para ele, que foi parando e perguntando em albanês para quem estava na rua onde nos deixar para irmos para Berat. Alguns minutos depois nos deixou  na rodoviária correta, nos deu instruções de como pegar o furgão para Berat e despediu da gente com o maior sorriso banguela do mundo. Já falei que tem vários macedônios para lá de simpáticos? Como ainda tínhamos uns dinares no bolso (pouca coisa, uns dois euros), demos pra ele, que ficou todo contente.  

Mal sabíamos que dali a uma hora estaríamos com uma saudade enorme de nossa van confortável e rápida. Na rodoviária de Elbasan, rapidamente achamos outra van, que eles aqui chamam de furgona, que sairia em duas horas para Berat. Preço? Nem ideia. Não conseguimos nos fazer entender além do fato de que queríamos ir para lá.

Colocaram nossas malas no bagageiro e mesmo faltando bastante tempo para sair a van, já ficamos dentro dela, fugindo do sol que já começava a esquentar. Foi uma sábia decisão. A van lotou e em pouco tempo. Tanto que saiu às 8 da manhã, em vez de 9.

A van tinha duas fileiras de assento: duplos de um lado, unitários do outro. No centro, um corredorzinho. Vimos uma pilha de tamboretes baixinhos de plástico, e logo descobrimos a razão: vê lá se o povo ia desperdiçar aquele belo espaço disponível!

Quando a van arrancou, todas as poltronas estavam ocupadas, e na saída da rodoviária a van pegou mais um passageiro. O trocador, que estava de pé, pois em seu banquinho ele já instalara uma pessoa, sacou mais um tamborete e seguimos viagem. E que viagem. 

Poucos quilômetros depois de Elbasan, a estrada praticamente acabou. Virou um mistura de buraco, terra e o que o pessoal no interior do Brasil chama de estrada de chão. A velocidade máxima devia ser 5 km por hora. 

Sem sacanagem, juro que vi uma abelha passar voando e ultrapassar nossa van. Pelo menos a gente passou na frente de duas borboletas! Detalhe: eu fiquei bem no banco da porta, achando que teria espaço de sobra para as pernas. Que nada: o trocador ficava ali. Fora a pessoa sentada em um banquinho do lado. E a porta da van, que às vezes o motorista esquecia de fechar, e a Lud ficava imaginando que eu ia cair lá fora?

A van, além de viajar nessa incrível velocidade, quando chegava a um trecho bom de estrada, parava para deixar ou pegar pessoas. Fora as paradas para pegar encomendas para Berat. Vimos de tudo, de joelhos de encanamento a cartinhas. 

Outro detalhe: no começo da viagem, o trocador começou a cobrar as passagens. E quem disse que a gente tinha lekes? E quem disse que ele aceitou nossos euros? Não conseguimos nem entender qual era o preço da viagem. Só conseguimos comunicar que ao chegar em Berat a gente trocaria o dinheiro e pagaria.  

Mas a aventura ainda não acabou! Sim, post longo, você deve estar cansado de ler. Imagina a gente como estava então... Faltando pouco para chegar, mandei um sms para o irmão da dona do apê, o Dorian, falando que estávamos para chegar e se perto da estação tinha onde trocar dinheiro. Resposta: não.

Mas ele foi um salva-vidas. Nos pegou na rodoviária e pagou a van para o trocador que já estava super nervoso (ok, ele era mesmo um antipático: brigou com o motorista e alguns passageiros na viagem), mesmo depois de um cara que passou traduzir para ele que um amigo estava chegando para nos pegar e pagar a passagem. 

Da estação o Dorian nos levou até uma casa de câmbio onde trocamos dinheiro e de lá para casa, ajudando a carregar as malas morrão acima (boto morro nisso!). Fim da aventura. Suando e morrendo de calor, chegamos na nossa casinha  Não tiramos foto, mas na rodoviária o termômetro marcava 40 graus!

Último detalhe: faz duas semanas que a prefeitura mudou a estação de ônibus para fora da cidade. Antes era no centrinho, do lado de uma casa de câmbio e perto do apê. Ainda bem que o irmão da moça foi nos salvar. Na Albânia também tem pessoas legais! 

Para terminar, casas de câmbio na Albânia são uma maravilha. Trocamos 50 euros por 7 mil leks. Melhor que a cotação oficial da moeda, que é 6.940. Ok, quase a mesma coisa mas melhor mesmo assim e melhor do que pagar tarifa de saque no cartão. Vem para a Albânia? Use e abuse das casas de câmbio. E se prepare para viver ótimas aventuras pelas estradas, que são ruins mas têm belas paisagens. Fora o que só se vê na Albânia: nem no Camboja vimos estradas e cenas tão bucólicas como aqui.

E em breve esperamos ter mais casos. Ainda vamos de Berat para Tirana e de Tirana para a fronteira norte do país com Montenegro. Mais 210 quilômetros, pelo menos, de aventuras.

2 comentários:

  1. adorei o Post longo mas divertido, fiquei imaginando e visulizando tudo, deve ter sido demais
    mas sem duvida valeu a pena e voces curtiram adoidado.
    Isto sim é uma aventura !!!!!!!!!!!!11

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  2. Engraçado que eu pesquisei tanto informações sobre essa viagem antes da nossa e não achei esse post! Fomos em setembro, então esse post já tava aqui! Mas ainda bem que não achei, porque sair de Ohrid antes das 5h da manhã não ia rolar... rsrs Nós também perguntamos para as pessoas por lá e todo mundo falava que não tinha como ir para Berat sem passar por Tirana. Se eu não tivesse encontrado um post recente em inglês que explicava passo a passo não teria arriscado. A diferença foi que pegamos o ônibus de Struga para Elbasan um pouco mais tarde. E no caminho para o lugar de onde saiam as vans em Elbasan tinha uma casa de câmbio, então conseguimos nossos leks rapidinho! =)

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