Nosso destino já era em Montenegro, logo depois da fronteira: a cidade de Ulcinj. Para chegar lá, como sempre é na Albânia, foi uma aventura. Mas confesso que foi mas fácil do que eu imaginava.
Na Albânia, informação na internet, ou mesmo in loco, é difícil de conseguir (no segundo caso, porque a gente não fala a língua.) O máximo que descobrimos foi que tínhamos duas opções: ônibus saindo de uma rua ao lado da estação de trem ou vans saindo de uma rotatória. A primeira opção nos animou mais. Por mais velho que seja o ônibus, são maiores e portanto mais confortáveis que as vans.
Às nove da manhã saímos de casa e fomos andando em direção ao provável local da partida do ônibus. Foram difíceis 1.500 metros puxando as malas por ruas com calçadas nada amigáveis. É que além de estreitas e irregulares, todo final e início de quarteirão não tem rampa (ao contrário de outras cidades mais amigáveis com turistas e cadeirantes). Ou seja, é necessário carregar a mala nesses momentos. Mas, de novo, andamos sem cair em bueiros ou buracos.
Quando chegamos em frente à estação de trem, caiu um dilúvio. Demos sorte: nos encondemos em uma marquise e lá esperamos a chuva passar. E também lá descobrimos que nada de ônibus (não entendemos se para sempre ou só nesse dia). Só as vans lá da rotatória, que era bem mais perto da nossa casa.
A chuva passou e nos colocamos a caminho da rotatória, enfrentando novamente as calçadas nada amigáveis para os puxadores de mala. Foi só chegar à rotatória que uma senhora nos abordou perguntando: "Shkoder?". É o nome da cidade mais perto da fronteira com Montenegro, onde pegaríamos outro transporte.
Colocamos nossas malas no bagageiro e corremos para dentro da van. Acho que essa foi ainda mais apertada que todas as outras até agora. Por sorte, arranjamos um lugar no fundo, eu sentado na cadeira que dá para o corredor (podendo esticar as pernas) e a Lud apertadinha do meu lado. Pagamento? Só quando descemos em Shkoder, 400 leks por pessoa (um pouco menos de 3 euros).
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| Primeira vez que a Lud viaja com o joelho batendo na cadeira da frente. Eu só consegui caber na van porque fui no assento do final do corredor. |
Logo a van lotou. Não cabia mais ninguém. E van na Albânia não seria van se um dos passageiros não entrasse com uma criança chorando. E é claro que a criança passou os quase 100 km até Shkoder choramingando. E é lógico que não seria Albânia se a van demorasse menos de duas horas para fazer 100 km.
Tirando o aperto absurdo, foi o melhor trecho até agora na Albânia. Interessante que, na saída da cidade, a estrada era ruim, mas logo depois do aeroporto ela ficou boa. E foi boa até Shkoder. Uma vantagem (talvez a única) de a van sair lotada é que ela não parou pelo caminho para pegar ninguém, só deixar. Na cidade de Lezhe desceram quase metade das pessoas. Aí fiquei até confortável.
Em Shkoder a gente tinha uma boa noção de onde pegar o próximo ônibus. Para nossa alegria, a van parou praticamente em frente, na rotatória principal no centro da cidade. Em uma das avenidas que chegam a essa rotatória, a parcos 30 m de distância, saem os ônibus para Ulcinj, em Montenegro.
Lá descobrimos com taxistas e no centro de informação turística que o ônibus sairia às 14:00 ou 14:30. No final, acabou saindo às 14:15. Como saímos de Tirana às 10:30 e chegamos em Shkoder às 12:30, tínhamos um tempinho para gastar (e uns últimos leks também).
Shkoder nos pareceu umas das melhores cidades albanesas. Tirando o trânsito doido, marca registrada do país, vimos uma bela mesquita, uma rua muito legal de pedestres e uma fortaleza no alto de uma montanha. Fora um rio bem bonitinho que corta a cidade.
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| Uma bonita mesquita ao lado da rua de pedestres. |
De volta ao ponto do ônibus, não esperamos nem 10 minutos e ele chegou. Vocês não imaginam nossa felicidade: um ônibus de verdade - não era van! Colocamos as malas no bagageiro e embarcamos. Logo o motorista pegou os passaportes de todos e ficou super feliz ao ver o meu do Brasil. Depois o trocador passou cobrando 4 euros por pessoa, ou 500 leks (sim, é mais barato na moeda local). Dá para pagar com qualquer uma das duas moedas.
De Shkoder até Ulcinj gastamos uma hora e meia. A estrada é incrivelmente tortuosa e estreita, principalmente no lado de Montenegro. Pelo menos não tem um único buraco. E Montenegro tem desculpa para a estrada super estreita: ela é praticamente cavada nas montanhas.
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| Alegria de viajante na Albânia é quando aparece ônibus de verdade e não van. |
Fiquei triste com a falta de carimbo. Na entrada e na saída da Albânia também não rolou carimbada. Já ouvimos dizer que falta tinta. Bobear é verdade.
Em Ulcinj, o ônibus nos deixou na nova estação da cidade, a uns dois quilômetros do centro e do nosso hotel. A gente aproveitou para tentar comprar a passagem para nosso próximo destino, Kotor, mas o pessoal da estação nos disse que só vendem para o mesmo dia. Pelo menos confirmamos os horários: 7:15 ou 19:30.
O calor estava forte e a previsão de caminhada para o hotel, nada boa. Além do calor, a gente desconfiava que seria um belo morro. E realmente foi. Só que encaramos o morro no ar condicionado de um táxi. Foi caro, 5 euros, mas valeu pelo conforto.
Resumão: saímos de casa às 9:00 e chegamos a nosso hotel às 16:30. Gastamos 18,71 euros para nós dois por 136 km. Tchau, Albânia. Sinceramente, acho que não vamos sentir saudades, não.
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