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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Malditos móveis

Depois que a gente sai viajando por aí, ficamos achando que toda ocasião é oportunidade para sair viajando por aí de novo. Estão demorando para me nomear, o Leo não curte tanto o trabalho dele... por que não tirar uma licença sem vencimentos (outra vez), pedir exoneração (outra vez) e cair no mundo?

Por causa dos móveis, esses malditos. Quando voltamos para Brasília, consideramos seriamente ficar em um apart-hotel, mas todos os que vimos praticamente não tinham cozinha e exigiriam que a gente tivesse um carro, pois ficavam fora de mão. Achamos uma solução ótima, o apartamento mobiliado - só que os móveis do apartamento não eram muito confortáveis, então decidimos trocar a cama de casal, o sofá e a mesa. E comprar um aparador. E um criado-mudo. E uns armários pequenos para a cozinha. Aí já viu...

Sim, a gente poderia vender tudo (de novo). Mas, da outra vez que tiramos um sabático, tínhamos três anos pela frente e a possibilidade de não voltarmos. Dessa vez, se sairmos, temos certeza que voltaremos, por causa do concurso. E teremos que montar casa novamente. (É verdade que, como temos muito menos coisas e seria por menos tempo, talvez role deixar em um guarda-móveis. Ou na casa dos amigos. A considerar.)

De qualquer forma, vamos aguentar mão até fevereiro, quando o Leo finalmente tem férias. Aí poderemos passear alegremente por um mês. Quem sabe isso nos revigora o suficiente para tirar essa ideia maluca de fazer um bis do sabático das nossas cabeças?


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O crachá provisório

Dia desses me dei conta de que ainda estava usando um crachá provisório no trabalho. O permanente ficou pronto em janeiro, mas como tem de buscar em um prédio longe, primeiro enrolei e depois esqueci. 

Ou, basicamente, queria tanto passar no concurso de oficial de chancelaria que me recusei a ver o emprego atual como permanente.

Ou a vida atual como permanente. Desde que chegamos a Brasília, a ideia foi morar em um apê pequeno/comprar poucos móveis/não ter carro/não criar compromissos de longo prazo, porque Brasília é provisória: daqui a pouquinho vamos embora.

Só que o daqui a pouquinho virou um daqui a poucão. Em dois de setembro, completamos um ano na capital. Ainda estou esperando a nomeação. E, mesmo depois que eu for nomeada, serão dois anos antes de sair do país. Isso se não atrasar e os dois anos se tornaram dois anos e meio, três anos...

Ou seja: tenho de encarar a realidade. A estadia em Brasília não é provisória. Não é só um intervalo rápido entre o sabático e o primeiro ciclo de remoções (10 anos no exterior, oba). Vai ser uma parte razoavelmente longa da minha vida. Tenho de dar um jeito de vivê-la da melhor maneira possível, em vez de encarar tudo que acontece como provisório. 

E, como só percebi isso hoje, ainda não sei como fazer, não.

O caminho é mais longo do que a gente esperava...

sábado, 3 de setembro de 2016

1 ano de Brasília!

1 ano morando na capital do país

1 ano sem carro

1 ano sem viajar (visitar a família em BH não vale)

1 ano de trabalho (para a Lud: o Leo voltou em fevereiro)

1 ano de planos, estudos e vitórias (ambos aprovados em concursos)

1 ano de muita paciência (quando é que a gente vai sair viajando de novo?!?)

1 ano vivendo de maneira mais simples (sem faxineira, em um apartamento menor, usando transporte público, comprando só o que precisamos)

1 ano guardando 60% dos nossos salários

1 ano de construção, trabalho e persistência.

1 ano meio besta, pra sermos sinceros. Mas necessário: foi um ano de semear. A colheita virá. 




quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O dilema das próximas férias

Em fevereiro do ano que vem, finalmente o Leo terá férias e poderemos viajar, depois de quase dois anos pianinho. Estamos animados com a perspectiva, mas enfrentando algumas dificuldades inesperadas.

A primeira é a nossa principal regra de viagem, "Não repetirás destinos". Quando a gente vai a um lugar muito legal (e que lugar não é muito legal?), ficamos com vontade de voltar. Por isso criamos essa lei: para nos obrigarmos a conhecer países diferentes. O problema é que, hoje em dia, o número de países que a gente conhece é razoavelmente alto, o que elimina um monte de destinos ótimos. 

A outra dificuldade é a questão da oportunidade. Esperamos morar na Ásia, na África e na Europa, e provavelmente também vamos passar pela América do Norte. Então, visitar essas regiões depois, quando estivermos mais perto, está nos parecendo muito mais fácil e barato. 

Um terceiro problema é que, tendo nos acostumado a viajar com calma, com tempo de sobra para explorar as cidades e as atrações, estamos achando que qualquer ritmo que não seja o "muito lento" vai nos deixar com a sensação de correria. Ao mesmo tempo, um ritmo muito lento vai nos permitir visitar muito poucos destinos, porque agora só temos 30 dias de férias, como todo mundo! 

No fim das contas, estamos pensando em lugares que ficam fora de mão sempre, não importa onde estivermos morando, como a Antártica e o Havaí. Terceira opção: América Latina.

Um é frio e molhado

O outro também é molhado. Só que é quente. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Mudanças de vida em 6 anos

Há exatamente 6 anos, estávamos empacotando nosso apartamento gigante em Coronel Fabriciano, no interior de Minas Gerais.

Moramos lá por 6 anos, nossos primeiros anos de casado. E foram excelentes. Inicialmente só a Lud iria para Fabri, por causa do trabalho. Eu ficaria em Belo Horizonte e nos encontraríamos nos fins de semana. Rapidamente mudamos de ideia e me mudei também.

Vou confessar: por pouco nossa vida não seguiu o chamado padrão. Chegamos a pensar em ter filhos, em comprar um apartamento e, se bobear, morar no interior de Minas até os filhos crescerem. Adoramos a tranquilidade, a segurança, os amigos e o custo de vida. O que não nos agradava era o calor e a estrada perigosa que tínhamos que enfrentar para ir a BH.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Um ano sem carro

Vamos completar um ano sem carro. Na verdade, é bem mais: afinal, vendemos o nosso no final de 2012 (e aí fomos viajar). O que vamos fazer mesmo é, em setembro, um ano sem carro em Brasília. 

Resultado: melhor do que o esperado.

Cada dia usamos um carro diferente

sábado, 2 de julho de 2016

Sabático: um bom negócio (inclusive financeiro)

Como vocês sabem, o Leo faz um controle financeiro completo do nosso orçamento. Desde 2005! Ontem ele resolveu fazer uns gráficos e extrair uns dados sobre nossa vida de viagens (com atualização monetária).

O primeiro número legal, que não vai surpreender ninguém, é que nosso principal gasto é com...

viagens: 36% do total de despesas.


O segundo maior item, habitação, vem lá atrás, com 14%.

O Leo também listou duração e despesas: 

De 2005 a 2011, viajamos 145 dias, isto é, uma média de 20,7 dias por ano.

Achei que a gente viajasse mais. Afinal, temos 30 dias de férias por ano! Mas, como a gente mora longe da família, acabamos passando uns dias com eles também. Ah, 2012 não entrou na conta porque foi o último ano pré-sabático. Ano de apertar o cinto! 

De 2013 a fim de fevereiro de 2015 (isto é, o sabático), viajamos 792 dias.

Isso quer dizer que, se continuássemos no mesmo ritmo de 20,7 dias por ano, precisaríamos de um pouco mais 38 anos para viajarmos o mesmo tanto! Mas, mesmo se conseguíssemos viajar todo ano, provavelmente conheceríamos menos lugares. Achamos que não iríamos à Bulgária ou à Albânia. Talvez demorássemos muito para visitar a China e o Japão (ninguém merece as 36 horas de viagem que demora saindo do Brasil). E eu nunca ia conseguir fazer um curso de francês de um mês, porque o Leo iria sempre me convencer que férias são pra passear, não para estudar!

Em questão de valores, o sabático custou 62% de todas as despesas de viagem que fizemos desde 2005. As demais viagens, 38%. Se pensarmos que o sabático foi 38 vezes mais longo, dá pra sentir o drama, né?



No fim das contas, para quem gosta de viajar, um período prolongado é muito interessante, porque se emendam vários passeios em um só. Em vez de ficar indo e voltando do Brasil, você já está na estrada! Ou seja, economiza tempo e dinheiro.

Sabemos que um sabático não é pra todo mundo: tem gente que não quer. Tem gente que quer, mas não pode. Mas, para os que querem e podem, olhaí mais uma vantagem.

sábado, 25 de junho de 2016

Tudo de novo!

Decidimos que íamos sair pelo mundo no primeiro semestre de 2011.  Foram quase dois anos anos de preparativos empolgados até embarcamos em um avião rumo à Europa em 31 de dezembro de 2012.

Agora, a partir do dia em que eu tomar posse, começamos nova contagem regressiva de dois anos.

Esse é o tempo mínimo que tenho de ficar no Brasil.

Da outra vez, foi tudo bem dramático.

Fazer um sabático representou uma chacoalhada total em nossas vidas.

Pensamos muito sobre o que era importante para nós, o que valia a pena a pena fazer, e no que estávamos dispostos a abrir mão para alcançarmos nossos objetivos.

Tomávamos um monte de decisões quase diariamente:

o que vamos fazer com nossos objetos? Como podemos guardar mais dinheiro? Onde vale a pena cortar despesas? Que lugares queremos conhecer? Por onde vamos começar? Que experiências são imperdíveis? O que faremos com os casacos de inverno quando for verão? Quantas vezes vamos voltar ao Brasil?

E, claro, foram muitas emoções:

será que vamos conseguir licença no trabalho? Será que não vamos sentir falta do que estamos doando/vendendo? Será que o Leo vai conseguir visto de residência em Portugal? Será que o dinheiro vai dar? Será que vamos dar conta de morar por 6 meses em um apartamentinho de 1 quarto?

Não preciso nem dizer que valeu muito a pena e que a gente faria tudo de novo sem pensar duas vezes.

E agora, vamos passar pelo mesmo processo novamente?

Bem, não exatamente.

A gente vai vivendo e aprendendo, né? Voltamos para o Brasil decididos a vivermos de um jeito diferente do que vivíamos antes do sabático. Primeiro porque já imaginávamos que estaríamos inquietos em pouco tempo e queríamos permanecer razoavelmente portáteis. Segundo porque percebemos que a gente sempre tinha tido muito mais casa/carro/coisas do que precisava e usava, e que poderia ser mais feliz (menos preocupação! Menos dor de cabeça! Mais liberdade!) vivendo de um jeito... não digo "simples", mas "mais simples".

Dessa vez, a maior emoção vai ser esperar a lista de destinos disponíveis, escolher os que mais nos agradam e cruzar os dedos enquanto aguardamos a resposta.


De um lado, é legal, porque estamos mais preparados; por outro, vai ser mais difícil lidar com a ansiedade, pois não teremos muito o que fazer especificamente em relação à partida! Até estudar a língua do destino só vai ser possível depois que for decidido para onde vamos (o que parece que acontece uns dois meses antes da data).

É muito engraçado, porque às vezes a gente tem aquela sensação de "resolvi a vida!" e depois percebe que até resolveu, mas vai demorar mais do que imaginávamos... igual passar no vestibular para o segundo semestre, sabe? No nosso caso, é como passar no vestibular para o quinto semestre!

Exatamente 4 anos atrás, última noite no apê bacaninha, após termos vendido praticamente todos os móveis.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Central do Textão

Como bons mineiros, somos desconfiados. Como bons introvertidos, resistimos a projetos coletivos e aglomerações (estamos até hoje pensando se queremos nos filiar a alguma associação de blogueiros de viagem). Mas como foi a Tina Lopes que nos chamou pra fazer parte do Central do Textão, a gente 1) ficou todo pimpão de ter sido convidado e 2) topou, porque a gente é quietinho mas não é bobo.

É um monte de gente legal escrevendo um monte de coisa legal sobre um monte de temas legais. É um jeito de fugir do Facebook e das curtidas e das hashtags. É uma maneira de recriar um tempo em que as pessoas escreviam seus blogs sem pretensões (inclusive financeiras). Vai lá!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Daqui pra frente

O Leo andou chateado e aproveitou para escrever uns posts-desabafo. Agora as coisas no trabalho e na dentista melhoraram, o resultado do concurso saiu, e ele está feliz de novo. A verdade é que não existe estado de perfeita satisfação, né? Eu achava que, depois de sair viajando, ia voltar uma pessoa totalmente realizada. Rá rá. Lego engano. 

Dito isso, não queríamos deixar a impressão que, depois de um sabático, a pessoa fica infeliz e desajustada pra sempre. Não fica. A não ser que ela se resigne a voltar para a vida antiga, e encare o período de viagens com uma janela de oportunidade que jamais se repetirá. (Ou talvez nem assim: o ser humano se acostuma com tudo, então é provável que depois de um tempo ela volte a sorrir.)

A gente não voltou para a vida antiga. Voltamos para uma vida mais simples e menos estressante. Voltamos tendo certeza que queremos mais mudanças e mais aventuras. Voltamos decididos a viver com conforto - não com luxo - e a guardar dinheiro para financiar um certo grau de liberdade. 

Novos horizontes.



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Final feliz: Lud & Leo pelo mundo, segunda etapa!

Tem coisas que mudam a gente pra sempre. Uma delas é sair viajando. Aposto que existem pessoas que voltam alegremente para suas vidas de antes, confortáveis e tranquilas, mas não é com todo mundo que isso acontece. 

Com a gente não foi. 

Aí, plano B, né.

Itamaraty, novo lugar de trabalho!

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(continuação do post)

Final feliz: Lud & Leo pelo mundo, segunda etapa! 

Pesquisamos, discutimos, arrancamos os cabelos, conversamos com um monte de gente que mora e trabalha fora e concluímos que, pra gente, a melhor solução, o melhor custo/benefício, a melhor mistura de aventura e segurança seria um de nós, ou ambos, se tornar Oficial de Chancelaria, um cargo do Serviço Exterior Brasileiro.

Detalhe: para ser Oficial de Chancelaria é necessário ser aprovado em um concurso que não acontecia desde 2008. 

Mas uma hora ele ia acontecer de novo, né? E aconteceu, no momento certo: o edital saiu dois meses depois de a gente ter voltado para Brasília e, portanto, organizado nossa vida direitinho. 

Hoje, depois de várias etapas, resultados parciais, curso de formação, choro e ranger de dentes, saiu o resultado final: passei! Estamos superfelizes.

Isso quer dizer que vamos morar fora, só que, dessa vez, com salário. Isso quer dizer que vamos passar até 10 anos no exterior, em três países diferentes, antes de voltar para o Brasil (para ficar dois anos, e então o ciclo começa de novo). Isso que dizer que uma vez pelo mundo, sempre pelo mundo!

Visitas serão bem-vindas.

* * *

Atualização do Leo: a Lud não só passou, ela passou em segundo lugar.  Parabéns, meu amor!

sábado, 7 de maio de 2016

5 bons hábitos que adquirimos no sabático

1) Limpar a própria casa, cuidar da própria roupa: tanto o Leo e eu fomos aqueles filhos mimados que nunca se ocuparam dos serviços domésticos. Quando saímos da casa de nossos pais, contratamos uma diarista. Viajando, a gente teve de se virar. Aprendi que é um trabalho chato, pesado e repetitivo. Hoje, valorizo quem faz, recebendo para isso ou não.

Desde que voltamos, e tendo escolhido um apartamento pequeno, somos nós mesmos que cuidamos da limpeza (o Leo mais que eu, confesso). Não vou dizer que fica uma maravilha, mas fica razoável, e a gente se sente autônomo e responsável.

Pensamos em decorar a casa assim, mas ia dar muito trabalho tirar a poeira do lustre.

terça-feira, 3 de maio de 2016

A verdade sobre a vida pós-sabático parte III

Por diversas razões (que serão devidamente esclarecidas no momento certo), meu suplício atual tem data para acabar: daqui a dois anos. Só que isso complica um pouco as coisas. O que fazer até a data D chegar? Largar tudo para investir em outra carreira? Afinal, daqui a dois anos essa nova carreira será colocada em pausa. Estudar para outros concursos? Convenhamos que as opções são limitadas.

Mais um ótimo Gurulino que encontrei no caminho de casa.



quinta-feira, 28 de abril de 2016

A verdade sobre a vida pós-sabático parte II

Antes de qualquer coisa, obrigado a todos que deram sugestões, que se solidarizaram comigo e que entraram em contato para oferecer um ombro amigo. Aviso que já ajudou.

O tempo anda ajudando. Foto do meu ponto de ônibus por volta das 7:30.

sábado, 23 de abril de 2016

A verdade sobre a vida pós-sabático

Aqui é o Leo. Confesso que estou tendo uma dificuldade enorme de me readaptar a vida normal. As coisas não fazem muito sentido para mim. Trabalhar de segunda à sexta, de 8:00 às 17:00... E olha que nem posso reclamar muito. Tenho um emprego que paga absurdamente bem para os padrões brasileiros. E a carga horário é para lá de tranquila: 8 horas por dia com uma hora de almoço.

Nem a lindeza da região que moramos em Brasília está me ajudando a ser feliz.
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(continuação do post) 

Tá certo que o serviço é chato demais. Mas aí a culpa é minha que não gosto dele. Tem gente que faz basicamente a mesma coisa e adora. Fora que é muito tranquilo. O ambiente de trabalho é excelente, a infraestrutura melhor ainda e o local onde trabalho super fácil de ir e voltar. São só 8 minutos dentro do ônibus e em sentido contrário ao fluxo normal do trânsito de Brasília. Ou seja, sempre vazio. Ah, e tem o detalhe que eu tenho um emprego né? Tem gente correndo atrás e não consegue.

Fora que sei que tem trabalhos muito piores. Já imaginou trabalhos braçais, no sol de Brasília, ganhando uma ninharia? E também penso muito no meu "merecimento" de ter o trabalho que hoje tenho. Afinal, tive uma ótima infância, em que meus pais me deram do bom e do melhor, de comida a brinquedos, de amor a educação. Minha única obrigação era ir à aula e aprender. E meus pais nem eram muito exigentes. Pelo contrário, em retrospectiva acho que foram até permissivos demais (não tem jeito né, filho nunca está satisfeito com os pais).

Sim, ando super emburrado. Além de achar o trabalho chato, acho que as pessoas dão valor demais a coisas bobas. No trabalho, os colegas se afligem diante de qualquer inconveniente, e muita gente com que convivo só quer saber de consumir e reclamar que não tem dinheiro pra nada.

Bom, e aqui estou eu hoje. Trabalhando em algo que não gosto para juntar dinheiro. Na teoria o dinheiro serviria para comprar lindos e coloridos produtos novos que me encheriam de felicidade. Mas eu não quero nada disso! Parafraseando um dos personagens do ótimo filme Monthy Python e o Cálice Sagrado: "Mas eu não quero todas essas cousas! Eu só quero... cantar!".  Ou seja, por enquanto me irrito durante 9 ou 10 horas diárias da minha preciosa vida para juntar dinheiro que espero que seja útil em algum momento do futuro. Afinal, uma hora devo precisar, né? Posso querer algo bonito, novo e brilhante. Nem que seja, sei lá, um tratamento médico caríssimo.

Sim, o sabático me estragou. Acho que as pessoas se importam muito com o que para mim não importam mais. Não estou pregando que sou um ser superior e iluminado, viu? Pelo contrário. Eu é que estou destoando da massa. Logo, o errado sou eu. E não sei o que fazer. Até tento me encaixar, mudar ou colocar uma máscara para viver quase 12 horas do meu dia. Mas confesso que é difícil. O pior é que cada dia que passa estou achando pior.

Não sei aonde quero chegar neste post. Tanto que vou parar por aqui, perdido tanto nas palavras como na vida. E deixo com vocês uma frase de meu concunhado (não canso de rir toda vez que penso nela): "Se todo mundo fizesse o que gosta, o mundo seria uma bosta". Será que seria mesmo?


Sim, sei que estou reclamando de barriga cheia. 

quinta-feira, 3 de março de 2016

Aniversário: 1 ano que voltamos para o Brasil

Vai dizer que é fácil? Não, não é fácil. Depois que a empolgação do retorno passa – você reencontra os amigos, conta um monte de história, toma guaraná, come pão de queijo – e a vida entra nos eixos – apartamento alugado, móveis comprados, trabalho retomado -, dá uma angústia, sim. 

Nós éramos felizes. E sabíamos. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ganhou na mega-sena e quer fugir do mundo? Algumas dicas de destinos

Recebeu uma bolada e quer mudar radicalmente de vida? Decidiu sumir e nunca mais ser encontrado pelos conhecidos e "amigos do peito"? Ficam aqui algumas dicas.

Que tal se esconder no paraíso que é uma ilha grega? Hydra é uma ótima opção. 

Vista da ilha grega de Hydra com barcos e casas
Chegando a Hydra.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

De árvore a pássaro

Acho que, desde pequeno, tenho vocação para ser pássaro: uma pessoa que não cria muitas raízes e que está sempre querendo voar para outro canto. Quando eu e a Lud nos conhecemos, eu já tinha mudado de cidade duas vezes, e de casa, cinco.

Lud já foi uma sequoia bebê. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Os 5 melhores gelatos da vida

Difícil fazer esta lista. Até porque na Itália o que não falta é gelato gostoso. Só que não tem gelato só na Itália, né? Essa é uma invenção culinária que, como a pizza, migrou para vários outros países, para alegria geral da(s) nação(ões). Então o Top Hit Parade de gelatos (ou, se você quiser ser esnobe horrível, gelati, que é o plural em italiano) é internacional.

Em 5° lugar, uma sorveteria da Eslovênia, na pequena e fofa cidade de Maribor. Com três lojas pela cidade - uma delas praticamente na porta de casa -, a sorveteria Lastovka foi um achado. Ficamos só três dias na cidade, o que não nos impediu de passar quatro vezes lá.

Lastovka, na Eslovênia. Sabor delicioso. E o preço? Muito barato.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O único destino que a gente não recomenda

A gente costuma pesquisar antes de bater o martelo em um destino e, portanto, raramente entra em fria. Mas às vezes acontece. Confesso que o único destino do sabático que a gente não recomenda foi responsabilidade minha. Numa programação de viagem pela ex-Iugoslávia e arredores, o Leo quis passar em Berat ("a cidade das mil janelas") e eu me empolguei: "Já que vamos à Albânia, não podemos perder a oportunidade de conhecer a capital!".

As pessoas não falam bem de Tirana na internet, mas achamos que o povo estava exagerando. Não era possível que houvesse os buracos na calçada que diziam (inclusive no site da Embaixada do Brasil na Albânia) e que de fato fosse necessário, para sair à noite, usar uma lanterna (porque a iluminação pública seria praticamente inexistente, e a gente correria o risco de cair nos supracitados buracos).

Pois é, era exagero, sim. Pra gente, acostumado com os níveis variados de conservação de calçadas no Brasil, as vias tiranesas estavam perfeitamente dentro da normalidade. Algumas ruas tinham poucos postes de iluminação e as luzinhas eram fracas, mas dava pra enxergar direitinho, obrigada.

Tá vendo? Bem razoável.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O que pode fazer uma viagem fracassar?

A gente já desconfiava, mas tivemos certeza durante o sabático: o que faz uma viagem legal é altamente particular. O fato de que uma pessoa ama certa cidade não garante que nem seu melhor amigo vá concordar.

Até participantes do Top Ten Hit Parade Great Success (como Londres, Paris, Veneza, Barcelona) têm seus inimigos e detratores.

"A comida inglesa é horrível!"

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

5 dicas para casais viajantes

De vez em quando nos perguntam como fizemos para passarmos mais de dois anos pelo mundo grudados sem  nos matarmos.


 A resposta curta é que a gente gosta da companhia um do outro. A resposta longa...

1) Divisão de tarefas clara: algumas atividades eram claramente do comando de um de nós dois. Ir de um lugar ao outro estava sob o domínio do Leo. Comunicação ficava sob o da Lud. O pulo do gato é que nem Lud nem Leo interferiam/palpitavam/reclamavam enquanto essas atividades estavam acontecendo. A vida na estrada é cheia de surpresas, e é chato (e difícil!) tomar decisões rápidas com uma pessoa do seu lado criando caso.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Retrospectiva 2015

Sem dúvida foi o ano mais estranho de nossas vidas. Foi também o ano que achamos que passou mais rápido. E sabem por quê? Porque não fizemos quase nada...

Sim, os dois primeiros meses do ano foram ótimos, cheios de atividades. Passaram voando. Só que o resto inteiro de 2015 pareceu ter passado mais rápido ainda!

O começo do ano foi fantástico. Virada do ano em Paris, com direito a praticamente dois meses na cidade-luz. Vivemos como locais, em um apartamento maravilhoso, super bem localizado (apesar do canal de tv americano Fox dizer que estávamos em uma das no-go zones!).

Lição do Gurulino, personagem dos grafites de Bsb: Mau humor? Inspire... expire... fique feliz!

domingo, 3 de janeiro de 2016

5 razões pelas quais um sabático alegra sua vida

1) você tem a satisfação de saber que já viajou o equivalente a uns cinquenta meses de férias.

2) você tem tanta história pra contar que nunca fica sem assunto.

3) fotos. Milhares de fotos.

4) a aurora boreal.

5) você mal pode esperar pelo próximo sabático.

sábado, 2 de janeiro de 2016

5 razões pelas quais um sabático estraga sua vida

1) você passa a achar que 30 dias de férias por ano é um número ridículo.

2) você aprende a viver com muito menos do que estava acostumado - e portanto não vê mais sentido em se sacrificar em um projeto ou por uma promoção.

3) você aprende a viver com muito mais do que estava acostumado - e portanto não acha mais graça na rotina de sempre.

4) você não entende por que no trabalho precisam de você tantos meses por ano, tantos anos seguidos.

5) você mal pode esperar pelo próximo sabático.

Mal-acostumados.