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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

De árvore a pássaro

Acho que, desde pequeno, tenho vocação para ser pássaro: uma pessoa que não cria muitas raízes e que está sempre querendo voar para outro canto. Quando eu e a Lud nos conhecemos, eu já tinha mudado de cidade duas vezes, e de casa, cinco.

Lud já foi uma sequoia bebê. 

Já a Lud era mais árvore. Não só imaginava que moraria para sempre em Belo Horizonte, de preferência no mesmo apartamento, como morria de medo de algo diferente. Na adolescência, quando a irmã mais velha dela quis fazer um intercâmbio, Lud não entendeu nada: por que uma pessoa em sã consciência embarcaria em rumo ao desconhecido?

Quando ficamos noivos, o roteiro estava mais ou menos definido. Ela passaria no concurso para a Receita, seria lotada em BH e lá viveríamos até morrer, felizes para sempre.

Mas é claro que o destino, esse brincalhão, decidiu interferir em nossos planos. Lud foi lotada em Coronel Fabriciano, no interior de Minas. No fim das contas, consegui um emprego por lá antes mesmo do casamento, nos adaptamos tão bem à cidade que moramos seis anos em Fabri, e fomos incrivelmente felizes.

E o mundo começou a se abrir para nós. Depois que você sai do lugar onde nasceu, percebe que o estado - o país - o planeta são grandes e acolhedores e que mudar é uma aventura.

Por isso foi fácil vir para Brasília. E sair de Brasília para ganhar o mundo.

Agora estamos de volta, inclusive aos empregos antigos. A dúvida que fica é se vamos conseguir criar raízes novamente, ou se o lado pássaro vai falar mais alto e voltaremos a bater asas no futuro.


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