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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

As emoções da remoção (parte I)

Grande parte das incertezas e emoções da minha carreira vêm do mecanismo de remoções. É assim: a cada semestre é possível se inscrever para trabalhar no exterior. Depois de um longo processo que se arrasta por mais de dois meses e é movido a choro a ranger de dentes, a pessoa recebe a oferta de um posto. Aí ela aceita - ou não. Ninguém é obrigado a ir se não quiser.

O Brasil tem uma extensa rede diplomática: 227 postos espalhados pelo mundo. A classificação dos  postos vai de A (Nova York-Londres-Paris) a D (Uagadugu-Conacri-Daca). A oferta que cada pessoa recebe depende de quantos anos ela passou no Brasil. Quanto mais tempo, mais letras diferentes (e melhores - embora "melhor" seja um conceito bastante relativo quando estamos falando de lugares para morar. Fico fascinada com o fato de cada colega ter seus favoritos).

Como meu objetivo no Ministério das Relações Exteriores sempre foi morar no exterior, temos esperado ansiosamente completar 2 anos em Brasília para poder participar do mecanismo. Quando o último terminou, no final de 2018, atualizamos nossas planilhas para verificar onde haveria vagas e começamos a sonhar.

(Mas a sonhar com desapego, né, porque sempre nos disseram que, no Itamaraty, tudo muda o tempo todo. Que fazer planejamento a longo prazo é receita para se desapontar.)

Esse aviso, no entanto, não nos impediu de estudar russo, ler livros sobre o leste europeu e ver documentários sobre czares. Pelo menos a gente se diverte.