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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sarajevo, onde o leste encontra o oeste

Sarajevo não tem aquela atração turística típica de cartão postal, aquele local obrigatório que você deve visitar, aquela imagem marcante que vem à mente quando você escuta o nome de um destino. Ok, talvez a fonte no centro da cidade antiga. Mas uma coisa é mais do que certa: é uma cidade deliciosa e super agradável. Sem dúvida, se algum lugar da Europa pode ser o ponto de encontro entre o leste e o oeste, esse lugar é aqui.

O cartão postal é esta fonte e os pombos que por ali ficam. 
O centro histórico tem suas ruas de pedra de pedestres, centenas de restaurantes e cafés, dezenas de lojinhas bem estilo Grande Bazar de Istambul e mesquitas e mais mesquitas, lado a lado com uma igreja católica, uma igreja ortodoxa e uma sinagoga. Incrível, né?

Sarajevo é pequena, ainda mais para a capital de um país. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a geografia da cidade: lindas montanhas por todos os lados. 

A cidade é cercada de belas montanhas.
E não dá para falar de Sarajevo sem falar de como a comida é boa e barata. Comemos e muito na rua. E o resultado no bolso foi uma maravilha. Muito em conta. Custo benefício de comer por aqui é sensacional. Foi ótimo tirar umas férias da cozinha.

Divide por dois e você tem o preço em euro. Restaurante do lado da igreja católica, no centrinho da cidade. 
Outra coisa muito legal é o clima de Copa do Mundo. Uma pena que quando chegamos aqui o país já tinha sido eliminado. Foi o lugar mais enfeitado e festivo que vimos por enquanto.

Também não dá para deixar de mencionar que foi em Sarajevo que o herdeiro do império Austro-Húngaro, Franz Ferdinando foi assassinado, o que foi o estopim da I Guerra Mundial.

Agora, bom mesmo foi encontrar um amigo que nós levou pra cima e pra baixo, respondeu a um monte de perguntas sobre sua carreira e sobre morar no exterior, nos apresentou a vários restaurante e ainda pagou a conta! Obrigado, Bernardo! Já estamos com saudades.

Mesquitas é o que mais tem. E a bandeira do Ramadã no alto. 

A catedral católica
Um dos pratos de 2 euros. 


O belo prédio da Escola de Arquitetura. 

O rio que corta a cidade. 

Tem alguns grandes e antigos prédios. 

Igreja ortodoxa. 

Uma torre legal no centro histórico. 

Local onde o Franz Ferdinando e sua esposa foram assassinados. 

Foi na esquina do prédio do outro lado da ponte, hoje um museu. 




A linda biblioteca que acabou de ser reconstruída. O problema é que não sabem o que fazer com ela.
Não há livros, não há dinheiro, nem sabem quem vai tomar conta. 


Subidinha para chegar em casa. Dava para suar. 

Mais da cidade do alto de um dos morros. Nem parece capital, né? Onde estão os prédios grandes?

Mais da famosa fonte. 

O centrinho é todo assim, uma delícia de passear. 

Sim, tem prédios grandes sim. Ficam perto da estação de trem e de ônibus.
Acho que essa é a maior torre dos Bálcãs. 

Mais do centrinho.

A vista de um dos muitos restaurantes que fomos com o Bernardo. 

A fonte de noite. 

Os trans são super antigos. Rivalizam com os de Sofia, na Bulgária. 

domingo, 13 de julho de 2014

De Mostar para Sarajevo de trem

Depois de muita pesquisa, acabamos optando pelo trem para viajarmos de Mostar para Sarajevo.  E olha que vimos muita gente falando mal: os trens são super velhos, o povo fuma adoidado, é super lento... Mas também vimos muito lugar falando que a viagem de trem pela Bósnia é muito cênica, com ótimas paisagens. e que a rota Mostar para Sarajevo faz um trecho que é uma obra-prima da construção de estradas de ferro: uma sequência incrível de tunéis e curvas, descendo do alto das montanhas até o vale.

A viagem de trem é muito bonita. O tempo atrapalhou muito. Uma pena.
Só há dois trens por dia, um saindo logo depois da 7 da manhã e outro logo depois da 7 da noite. Ônibus tem de 2 em 2 horas. Outra diferença: ônibus custa 10 euros. O trem, 5 e uns quebradinhos.  E ambos com a mesma previsão de tempo de viagem, pouco mais de 2 horas e meia.

E a aposta deu muito certo. Para começo de conversa, o trem foi super pontual. Saiu e chegou na hora marcada.  7:08 a saída de Mostar, chegada às 9:45. Era velho? Super velhinho! São trens que deviam ser velhos na Suécia, país que os doou para a Bósnia Herzegovina quando eu nasci. Mas olha, podem ser velhos, sem ar-condicionado e encardidinhos, mas são super confortáveis. São da época que entupir o vagão de assentos ainda não era pensamento comum. Nunca vi tanto espaço para perna na vida. E o tanto que a poltrona reclina? Fora que tem muito espaço para bagagens.

Foi razoavelmente cheio. Eu diria 70% de ocupação, a maioria de locais. Mas não éramos os únicos turistas, não - devia ter mais uns 3 casais. Eram só 2 vagões. Ou seja, não cabe lá muita gente mesmo. A gente comprou na véspera mas daria para comprar na hora sem problema, e não tem reserva de assento.

A dica para pegar bom lugar é sentar do lado direito do trem. A paisagem é mais bonita desse lado a maior parte do tempo. E as super janelas ajudam demais a ver as belezas do caminho.

O trecho de túneis e curvas é realmente uma maravilha da engenharia. Muito legal, principalmente os trechos que dá para ver do alto da montanha o caminho de ferro lá em baixo, contornando a montanha e entrando em túnel.

A dona do apê que a gente alugou em Sarajevo falou para tomarmos cuidado com furtos. Furtos? Só se for durante a passagem nos longos tuneis, porque o trem não tem luz, então fica um breu danado. Mas duvido que aconteçam furtos ali, pois o meliante não tem como descer do trem! Acho que ela avisou só porque turista bobo geralmente é mais visado, mas a gente é bem cuidadoso. Dá até azar falar estas coisas, mas estamos chegando a 1 ano e meio de viagem e até agora não nos furtaram nadinha. 

Perigo? Da velhinha assaltar a gente?
Talvez a moça que dormiu a viagem toda fosse perigosa... Ou as meninas atrás dela?
Demos sorte e azar em relação ao tempo. Como estava nublado e com ameaça de chuva, atrapalhou as vistas. Por outro lado, ajudou em relação ao calor: não fez. Estava até fresquinho. Como não tem ar-condicionado, de fato o vagão deve ficar uma sauna quando faz sol. Deve até ser por isso que só tem estes horários, bem cedo e bem tarde - que além disso atendem quem vem trabalhar na capital.

A única coisa ruim da viagem foi o cheiro de cigarro. Quando entramos no trem, já estava um cheiro forte. Durante o trajeto, um dos passageiros acendeu um cigarro e fumou na maior tranquilidade lá dentro, sentado na sua cadeira. Mas foi só ele e apenas um cigarro durante toda a viagem. Aposto que é por causa do Ramadã. Boa parte da população é muçulmana e, além de não comer e beber durante o dia, tentam não fumar e beber álcool (isso a gente achou bizarro quando nos contaram, porque em tese os muçulmanos não bebem, né?). 

Resumo da ópera, gostamos e recomendamos. A viagem é realmente bela, o conforto é anos-luz a frente de ônibus. Só tem o problema do cigarro, comum em tudo que é canto por estas bandas, e o trem é realmente antigo. Mas não deixe a aparência dele te assustar. Ele é limpinho. Só é velho e gasto mesmo.

Em Sarajevo, a dona do apê que alugamos foi para lá de legal com a gente. Estava nos esperando na estação, nos levou de carro para o centro histórico, que fica uns 3 km, nos deixou lá depois de rodar pela cidade dando dicas e contando coisas e mais tarde, quando o apartamento estava liberado, nos buscou de novo. O pessoal da antiga Iugoslávia está dando de mil a zero em termos de recepção em todos os outros lugares do mundo pelo qual passamos. São super prestativos, simpáticos, gentis e preocupados com nosso bem estar.

O super velho trem sueco. 

Nosso lanche, azul para menino, rosa para menina. Que atraso de vida...

A viagem inteira é à beira do rio. 

Parece sujo mas não é. É velho mesmo 

Olhem como tem espaço.

sábado, 12 de julho de 2014

Mostar na Bósnia Herzegovina

Confesso que ando meio relapso em minhas pesquisas. Tantos lugares pelos Bálcãs para visitar que muitos deles só entraram no roteiro porque estavam na rota entre duas cidades (Mostar fica no meio do caminho entre Dubrovnik e Sarajevo, por exemplo) e porque vários sites especializados em turismo dizem que é um dos principais pontos turísticos do país. Foi assim com Ohrid e Berat também.

Eu só sabia que a cidade tem uma ponte super bonita e que sofreu horrores durante a guerra dos anos 90. E só. Até pensei em apenas passarmos por lá e continuarmos a viagem no mesmo dia. Mas também sabia que a cidade lota de turistas (como nós!) fazendo exatamente isso e, que no final do dia, a cidade fica bem mais tranquila e agradável, sem a horda de Luds e Leos. Tempo não sendo um problema, resolvemos passar uma noite para curtir mais.

O cartão postal da cidade. 

Tivemos metade de um dia lá e deu com sobra. E como estava muito quente, até passamos um pedaço da tarde descansando do calor no ar condicionado do nosso quarto. A cidade tem um centrinho histórico muito legal cujos dois lados são ligados pela famosa ponte, que realmente é muito fotogênica. Na verdade, eu diria que o rio, com uma cor de água verde impressionante, é que é a atração principal.

E a vista deslumbrante do meio dela. 
As ruas de pedestre que levam à ponte, tomada de lojinhas e restaurantes pega-turista, são super legais. É basicamente um pequeno mercado turco ao céu aberto, só que ninguém fica te perturbando e os preços nos parecerem bem justos.

As ruas do centro são todas assim, de pedras e cheias de lojas para todos os lados. 
Tudo muito em conta. Comemos bem e barato. Nos entupimos de burek, o delicioso prato típico de todo os Bálcãs, mas ainda mais recomendado por aqui. Nas líricas palavras de um guia de viagem, o burek "faz pela banha de porco o que o croissant faz pela manteiga". É massa folhada com recheio de queijo (nosso preferido), carne ou vegetais. E os sorvetes? Gostosos - embora longe de parecerem gelatos - e muito baratos: 50 centavos de euro a bola. E isso praticamente na ponte! Se esses forem os preços inflacionados para turistas, quero ver qual o preço normal das coisas.

Só na primeira tarde comemos 3 pedaços de burek de queijo. 
De tardinha, mas ainda longe de anoitecer, a cidade realmente esvaziou, pelo menos de turistas. Éramos bem minoria, ao contrário  da tarde. Mas as ruas continuaram razoavelmente cheias, só que de locais, saindo para curtir a noite, se divertir, paquerar e passear. Achamos uma delícia ficar andando pelas ruas sem trânsito, com menos gente. Recomendo, para quem pode, passar a noite por lá.

No fim do dia começou a esvaziar. 
A gente ficou em uma pensão, a Pensione Aldi, praticamente em frente da estação de trem e de ônibus. Fica a pouco mais de i, quilômetro e meio da ponte, onde tem muita opção de estadia. Foi bem barata e facilitou demais em relação às malas, pois teria sido muito chato puxá-las pelas ruas de pedra da cidade no calorão que estava fazendo.

Nosso pensão. Inteirinha só para nós. Estava deserta.
Outra vantagem é que, apesar de não ter banheiro nos quartos, só estávamos nos na pensão. O dono mora no andar de cima da casa e na parte de baixo ele construiu uns 7 quartos, 1 cozinha  e 3 banheiros completos.

Tudo muito simples. Sendo só nós, não tivemos fila de banheiro, sujeira na cozinha ou preocupação de não sair do banho de pijama para andar até o quarto. Preço: 10 euros por pessoa. Tinha internet mas não tinha tv. Por isso não vimos Costa Rica x Grécia, só uns pedaços de México x Holanda na rua. E ainda perdemos todos os gols da partida.

Mais do rio. 

O país tem maioria muçulmana. E estava começando o Ramadã. 




Uma miniatura da ponte. 

Que fica em uma miniatura do rio. 
A ponte vista de baixo, à margem do rio. 

Mais mesquitas. 
De noite a ponte ficou só para nós. 
A vista dela de noite. 
Ela de noite. 



Uma mesquita aberta até tarde. Normal na época do Ramadã.